sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Carta ao Papai Noel






















Querido Papy Noel
Desculpe a intimidade , mas sou um pouco abusada mesmo!
Como você bem sabe, sou absolutamente apaixonada por duas coisas nesta vida :pelo Natal e pelas estrelas que enfeitam o céu .
Espero ansiosamente por esta noite que considero a mais bela do ano.
É como se eu renascesse um pouco todos os anos, uma alegria imensa invade meu coração e fico sorrindo como uma criança que nunca deixei de ser.
Esta criança que existe dentro de mim continua sonhando e esperando coisas boas da vida e das pessoas.
E nem adianta pedir para eu colocar os pés na terra, sou incorrigivelmente sonhadora para isso.
Este ano tive o melhor Natal da minha vida!

Ah já sei que você vai dizer:
-Você sempre fala isso!"

Ganhei muitos presentes bonitos e carinhosos, mas o melhor de todos, tenho que confessar, continua sendo esta mania que tenho de me encantar com as pequenas coisas, os pequenos gestos de amor e esta vontade louca que tenho de ser feliz.
Hoje estive pensando que nunca em minha vida escrevi uma cartinha para pedir presente para você e sabe de uma coisa?

Meu coração bate forte na noite de Natal ,esta magia está sempre presente dentro de mim e não há nada que me dê mais felicidade do que esta noite feliz!
Nunca precisei pedir , sempre tive muito mais do que mereço e só tenho motivos para agradecer .
Para finalizar essas mal traçadas linhas ( ah meu teclado do computador perdeu várias letras) sugiro que no próximo ano você use um bermudão e uma regata vermelha e apare esta barba comprida.
Aqui faz um calorão danado e os médicos aconselham -nos a usar roupas leves e beber muito líquido.

Sua fã incondicional,

Nana Pereira

terça-feira, 17 de novembro de 2009

O dia em quase fui à Paris






















Foi em abril de 2003, acho que foi por volta do dia 24 que tudo começou.

Meus dias andavam meio tristes e eu quase nem sorria, não olhava o céu,

sequer ia até a varanda.

O telefone tocou e recebi a melhor notícia dos últimos tempos em forma de

pergunta:

_ Quer realizar o grande sonho da sua vida?

Eu estava recebendo passagens de ida e volta para Paris.

Primeiro pensei que era uma brincadeira, depois achei que estava sonhando e

finalmente cheguei à conclusão de que Deus estava satisfazendo a um de

meus mais velhos desejos: ir à Paris.

Meu coração encheu-se de emoção, uma alegria imensa inundou minha vida e a

todo instante meus olhos brilhavam e sorriam.

Fui até a varanda e me debrucei no parapeito para olhar as pessoas que

andavam na rua. Era horário de almoço e o dia me pareceu iluminado, cheio

de cores.

Coloquei para tocar aquele meu velho CD de "Chansons Françaises" e dancei,

cantei e meu coração transbordou de tanta felicidade. Lembrei-me da "Rue de la Felicité"....

A vida passou a ter outro sabor. AH! La vie en Rose"...

Cheguei a sentir o cheiro do café servido nas mesas dos Cafés de Paris,

andei pelas ruas, olhei bem de perto a Torre, o Arco do Triunfo...

Vi pessoas elegantes, turistas nem tão elegantes, gente falando em

francês..

_ OH! Mon Dieu!!!

Durante 24h fui a pessoa mais feliz e agradecida do mundo.

De repente, não mais que de repente, as passagens foram recolhidas sem que eu

tivesse voltado à realidade e mesmo assim, continuei com aquela sensação de

felicidade.

E agora mais do que nunca aprendi que : O coração pode fazer planos, mas a

resposta certa dos lábios vem do Senhor.

Aprendi que sonhar cura praticamente todas as tristezas da vida.

Aprendi que sempre existe motivos para sermos felizes.

Aprendi que a verdadeira riqueza é aquilo que somos, não o que temos.

Aprendi que rica é a pessoa que está contente com o que tem.

Aprendi que as sensações boas se tornam ainda melhores quando são

compartilhadas.

Aprendi que as pessoas são tão felizes quanto resolvem ser.

Por isso e apesar de tudo, continuo me encantando e agradecendo a Deus por

estar viva.

Talvez eu devesse mudar o título dessa história e chamá-la de "A vida é

bela".

Agradeço especialmente às minhas duas meninas muito amadas, à minha

querida amiga Yolanda, a todas as minhas amigas por serem

muito mais importantes para mim do que minha viagem à Paris.

A todos que lerem essa história : AU REVOIR!!!!!


By Nana Pereira

Sol de novembro
























Todos sabem que sou absolutamente apaixonada por estrelas, mas fico encantada com o sol de novembro.
Não sei bem o que é, mas a cor é diferente, há uma luminosidade mais suave.
É como um prenúncio do advento.
O céu é mais azul, sinto perfume de mirra no ar.
As romanzeiras estão floridas, lindas como árvores de Natal.
As manhãs são mais bonitas, o por-do-sol é mais belo.
Gosto do canto das cigarras, elas emitem sons durante todo o dia, porém esses sons tornam-se mais evidentes ao entardecer e ao amanhecer.
Lembram a minha infância!
Quando uma cigarra começava a cantar ao entardecer, mamãe dizia:
- Amanhã teremos um lindo dia de sol.
Parece que em novembro sinto a presença do Criador mais próxima de mim, sinto-me mais viva, mais alegre.
Gosto também das pancadas de chuva nos finais de tarde, aquele cheiro de terra, as folhagens agradecidas e a revoada de pássaros comemorando o por-do-sol.
Sinto o cheiro das frutas da estação, as flores exalam seu perfume de uma forma diferente dos outros meses do ano.
Talvez seja por isso que espero tão ansiosamente pelo Natal.
Meu coração ouve a melodia de todos os seres viventes.
Toda a natureza comemora esfusiante o grande amor de Deus por nós!
By Nana Pereira

domingo, 15 de novembro de 2009



















Quando eu era menina adorava caçar borboletas para depois soltá-las.
A casa não tinha muros, eram cercas vivas e viviam cheias de borboletas.
Saudade do tempo em que haviam borboletas...
Nana Pereira

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

E o vento levou!














Devia ter uns 12 anos quando encontrei "E o vento levou" na estante de casa!
O livro era grosso e pesado,
Isso aguçou minha curiosidade.
Imediatamente fui proibida de lê-lo
Mamãe disse: isto não é leitura para meninas!
Fiquei mais curiosa ainda!
Escondi o livro !
Passei a ler no quintal, em pé, no finalzinho da tarde.
Os braços doiam com o peso do livro
Mas, Scarlett O"Hara valia o sacrifício!
Tínhamos algumas coisas em comum:
não era bela, mas tinha delicadas feições ,
a despeito da meiguice que o rosto aparentava,seus olhos, eram travessos, voluntariosos e petulantes.
Era como eu gostaria de ser: impulsiva, voluntariosa, ousada e exibida.

BY Nana Pereira

Baú do tesouro!












Sabiam que piscianas adoram guardar coisas?
Há muitos anos ganhei um baú da vovó.
Talvez tenha sido um dos mais importantes presentes de minha vida!
Dentro dele há infinitos tesouros e recordações:
Fotografias, bilhetinhos das filhas, cartões, entradas de teatro,
um brinco perdido, postais de Paris, convites das formaturas das minhas filhas,
poemas, letras de música, os cachinhos da Favinho de Mel,
desenhos com declarações de amor, bilhetes de reclamações.
E o maior dos tesouros: o nome ANA escrito pela primeira vez!
Minhas duas filhas chamam-se Ana!

By Nana Pereira

domingo, 18 de outubro de 2009

As traças da decepção!

Sim, este é o título , curto e grosso a respeito da peça que fomos assistir ontem no Teatro Augusta.
"As traças da paixão" começa com um cenário sugestivo de uma taverna e com a música francesa "Que reste-t-il de nos amours " de Charles Trénet.
Imediatamente pensei , que lindo, que bom gosto, a peça promete!

Até que entram em cena a atriz Lucélia Santos e o ator Maurício Machado...

Numa linguagem pobre e tosca, com palavrões desnecessários ,um humor pobre e sem graça, fazem alusão à vida da herdeira dos czares russos , Anastácia que provavelmente revirou-se na tumba diante de tanto mau gosto.
Uma tragicomédia lamentável!
As vinte minutos da peça resolvemos sair do recinto, porque pensamos que teatro é arte, e arte é para alimentar o espírito e o alimento ali servido estava estragado.

Saimos silenciosamente e fomos direto ao estacionamento do teatro para pegarmos o carro. Já dentro do estacionamento, uma mulher muito simpática e sorridente nos abordou e perguntou porque havíamos saído antes do término da peça.
Respondi que não estava gostando da linguagem usada e que a peça era pobre, desprovida de beleza e que a única coisa de que gostei foi a música de Charles Trénet.

Agora vem o desfecho:

Como ela também estava no estacionamento, resolvi perguntar porque ela havia saído antes de terminar a peça .
Ela responde:
- Sou a produtora da peça.

Fecha a cortina e minha cara cai no chão!


kkkkkkkkk


Nana Pereira


Letra da música:


Que reste-t-il de nos amours
Que reste-t-il de ces beaux jours
Une photo, vieille photo
De ma jeunesse
Que reste-t-il des billets doux
Des mois d' avril, des rendez-vous
Un souvenir qui me poursuit
Sans cesse
Bonheur fané, cheveux au vent
Baisers volés, rêves mouvants
Que reste-t-il de tout cela
Dites-le-moi
Un petit village, un vieux clocher
Un paysage si bien caché
Et dans un nuage le cher visage
De mon passé...

domingo, 27 de setembro de 2009

Titila















Nasceu em uma família numerosa, além de seus pais, haviam mais dez irmãos.

Viviam numa chácara muito bonita. A casa era toda branquinha com janelas azuis, havia um jardim muito bonito , cheio de prímulas , arbustos de hibiscos de todas as cores e um pomar com todo tipo de fruta.

Titila foi um pintinho muito dengoso, chorão e mimado. Seus irmãos viviam lhe pregando peças e rindo de suas manias.

Quando cresceu, ficou muito bonita com suas belas penas brancas e passava boa parte do dia admirando seu reflexo no lago que havia perto do pomar.

Além de vaidosa, era uma sonhadora!

Sonhava com um poleiro limpo, entremeado de flores perfumadas, com uma tigela de porcelana fina, com um quarto só para ela, longe de seus irmãos barulhentos e mal educados.

Queria mais da vida, tinha desejos de ser alguém importante, de ficar famosa. Passava os dias cantando e exercitando suas pernas com saltitos de bailarina.

Queria ser atriz, fazer filmes românticos, usar chapéus elegantes, salto alto e um belo colar de pérolas adornando seu pescoço delicado.

A vida na chácara era monótona, sem glamour e seus irmãos uns caipiras sem ambição. Preocupava-se com o futuro, não gostaria de passar sua vida comendo insetos, sujando seus pezinhos delicados na lama e dormindo num poleiro velho junto com toda a família.

Gostava de entrar sorrateiramente na casa de janelas azuis, espiar as revistas de moda que ficavam espalhadas no belo sofá amarelo.

Havia um cômodo com um belo tapete cor de ouro e uma grande televisão., imaginava que algum dia poderia ser uma artista famosa e aparecer em um dos filmes onde a mocinha sempre usava belas roupas e casava-se com um belo jovem, rico e educado.

Passava horas suspirando!

Irritava-se com a falta de modos e o jeito simplório dos irmãos.

O tempo passou, todos cresceram. Seus irmãos agora já eram belos frangos e pareciam felizes. Sentia-se solitária e infeliz, até que um dia, entrou furtivamente na sala de televisão e ficou escondida sob uma poltrona.

Presenciou a cena mais horrível de toda sua vida!

Era véspera de Natal , a casa estava toda enfeitada de guirlandas, muitas luzes, música e pessoas bem vestidas.

Perto da meia-noite, chegou a hora da ceia e sobre a mesa coberta por uma toalha branca , haviam arranjos de flores, velas , frutas que jamais havia visto. Os pratos , de uma porcelana estrangeira , estavam ladeados por talheres reluzentes e copos de cristal completavam o cenário.

No centro da mesa um enorme peru, enfeitado com fios de ovos, aguardava o início do jantar.

Como pessoas tão elegantes e civilizadas teriam coragem de fatiar e comer uma ave que poderia ser perfeitamente um de seus parentes?

Ficou apavorada e desatou a correr pelo quintal, como se tivesse visto um fantasma.

Todos os seus sonhos haviam sido desfeitos. Ficou chorando e soluçando durante muito tempo perto do lago.

De repente, surgiu uma mulher com um vestido azul transparente, lindos cabelos dourados e um sorriso bondoso e disse:

  • "Às vezes não percebemos como somos felizes, não enxergamos todas as coisas boas que temos a nossa volta.

  • Cada um de nós tem seu valor e um papel importante a cumprir. Somos criaturas de Deus e especiais do jeito que Ele nos fez."

    Dizendo isso, tocou sua cabeça com uma varinha mágica e imediatamente apareceu um lindo colar de pérolas ao redor do seu pescoço.

  • Desde então, Titila entendeu que era feliz, tinha uma bela família , que galinha não pode ser atriz e gente não pode voar.


Nana Pereira


sábado, 19 de setembro de 2009

Meme


Peguei esse meme do blog "Deu zebra"!

- Que horas você acordou hoje?
às 06h20, porque é sábado e tenho ensaio na orquestra! Se hoje fosse dia de semana, provavelmente dormiria até as 8:30h .
- Diamantes ou pérolas?
Pérolas são mais românticas.
- Qual foi o último filme que viu no cinema?
Divã. Morri de rir e me emocionei também.
- O que você come geralmente no café da manhã?
Café preto e torrada com manteiga e mel.
-Qual comida você não gosta?
Queimada ou estragada.
- No momento qual é seu cd favorito?
Tribute do Yanni.
- Sanduíche favorito?
Salada de frango do Bob"S
- Que característica você detesta?
Desonestidade e mau humor.
- Se você pudesse ir pra qualquer parte do mundo de férias, pra onde você iria?
Paris, só para tomar um cafezinho em Champs Élysées com minha amada filha Ana Carolina.
- Onde você gostaria de se aposentar?
Em um lugar cheio de árvores, flores, perto da praia.
- Qual foi seu aniversário recente mais memorável?
Adorei os últimos 3 aniversários, foram especiais. Amo aniversários e adoro comemorar.
- Esporte preferido pra assistir?
Nenhum.
-Quando é seu aniversário?
1 de março
- Você é uma "morning person" ou uma "night person"?
Uma pessoa do dia .
- Quanto você calça?
35 e meio
- Animais de estimação?
Cães e peixinhos de aquário.
- Alguma novidade que você gostaria de compartilhar?
Estou fazendo aula de dança cigana.
- O que você dizia que queria ser, quando criança?
Escritora.
- Como você está hoje?
Com esperança no futuro.
-Qual é seu doce preferido?
Mamul ( doce árabe)
- Qual sua flor favorita?

Hibiscos, de todas as cores.
- Por qual dia do calendário você está esperando ansiosamente?
Natal, sempre!
- O que você está escutando agora?
Stardust com Rod Stewart.
- Qual foi a última coisa que você comeu?
Torrada e café
- Você faz pedido para as estrelas?
Sempre que as vejo no céu.
- Se você fosse um lápis de cor, que cor seria?
Azul.
- Como está o tempo agora?
Agradável.
- Última pessoa que você falou no telefone?
Minha querida filha Ana Paula.
- Refrigerante preferido?
Água tônica.
- Restaurante preferido?
Koi
- Qual era seu brinquedo preferido quando criança?
Boneca.
- Inverno ou verão?
Verão.
- Beijos ou abraços?
Os dois, sempre.
- Chocolate ou Baunilha?
Chocolate.
- Café ou chá?
Café.
-O que tem debaixo da sua cama?
Gavetas.
- O que você fez na noite passada?
Fiz pesquisas sobre o Egito.
- Do que você tem medo?
Da solidão.
- Salgado ou Doce?
Doce.
- Quantas chaves tem no seu chaveiro?
Só duas.
- Dia preferido da semana?
Gosto de todos, mas prefiro a Sexta!
- Em quantos lugares você já morou?
3, Rio de Janeiro, São Bernardo e São Paulo.
- Você faz amigos facilmente?
Sim.


Quem quiser pegar esse meme, fique à vontade!!!!!!!!

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Pérolas de família

























Mãe, minha professora não sabe de nada , acho que ela não lê jornais nem vê televisão!
Ela disse que que papai Noel não existe!

Ana Paula aos 7 anos

Mamãe, minha professora e meus colegas não tem cultura nenhuma.
Você acredita que nem eles, nem a professora nunca ouviram falar em Guy de Maupassant?

Ana Carolina aos 8 anos

domingo, 16 de agosto de 2009

O que é melhor, amar ou ser amado?














Amar é nos apoderarmos de nossa humanidade!
É estar no céu e nem saber como lá chegamos.
É o sentimento de humanidade que invade nosso coração e nossa alma.
Amar é ser um pouco imortal , porque o amor transcende e voa livre pelo universo.
Amar alimenta nosso espírito, desenvolve nossa mente, inspira nosso cérebro.
Quem já ouviu falar de alguém que escreveu lindos versos por ser amado?
O amor nos transforma em poetas , seres alados e brilhantes.
Quando amamos , todo nosso corpo se modifica, nosso metabolismo entra em êxtase e nossos olhos viram estrelas luminosas.
É quando amamos que percebemos a beleza do universo, os cheiros e perfumes de todas as coisas, um prazer inigualável de estarmos vivos, todos os nossos sentidos ficam aguçados, nosso peito transborda de emoções que às vezes saem de nós em forma de lágrimas de felicidade.
Desejamos dar todo o universo para o ser amado, vemos a luz do outro lado da lua , somos música sem partitura , podemos até pintar uma tela sem pincel, adormecemos esperando que o dia amanheça com todas as suas cores.
Amar é estar rodeada de prédios e sentir-se num jardim de flores delicadas e perfumadas, é estar no jardim das delícias sorvendo o néctar dos deuses.
Ser amado é muito bom, não há dúvida, mas amar é infinitamente melhor.

Nana Pereira

sábado, 15 de agosto de 2009

O que você quer ser quando crescer?
















Quando era pequena , sempre respondia escritora e professora.

Os anos passaram e hoje , se me perguntassem, responderia que gostaria de ser jardineira.
Tem coisa mais bela do que cuidar de flores ?
Flores são como pessoas, algumas são delicadas tal como os miosótis, resistentes como as tulipas , umas precisam mais do sol como os girassóis e as margaridas.
As bromélias gostam de chuva , as violetas fogem dela .
Existem flores que apreciam a lua como as damas da noite e o jasmim que exalam seu perfume somente à noite.
Algumas são altivas e elegantes como as orquídeas , belas como as rosas, singelas como as gérberas , vivazes como as lantanas.
Azaléias gostam do inverno e nesta estação atingem a sua maior beleza.
Ajudaria cada pessoa a descobrir sua própria beleza, sua fragilidade, sua força e seu valor.
Talvez , se pudesse, fosse uma jardineira de almas.
Sabem aquelas almas que estão sem cor, sem vida, desbotadas pelo sofrimento , pelas tristezas e pelas frustrações?
Estão tão acostumadas a serem assim que não conseguem ver a beleza da vida.
Pois então, regaria essas almas com o mel das doces palavras, adubaria com amor, com a fé no Criador de todas as coisas.
Pegaria nas mãos aquelas pequenas mudas frágeis e colocaria bem de frente para o nascer do sol.
Colocaria num mesmo jardim flores, folhas e frutos para que aprendessem a conviver em harmonia.
Comemoraria cada pequena folha , cada semente que germinasse e consolaria as que não dessem frutos.
Ensinaria a todos a verem beleza no cair de uma folha, no nascer de um fruto e até na partida , pois que ela nos deixa suas sementes.
Faria reuniões diárias para falar de cores de borboletas, perfumes de flores, sonhos, canto de pássaros , poesias e porque não bobagens .
Juntos esperaríamos por cada amanhecer, cada por do sol, cada dia de chuva, cada tarde ensolarada , cada noite estrelada.
E quem sabe descobríssemos que podemos ser e sonhar tudo que quisermos.


Nana Pereira

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

No meu jardim moram meus sonhos



Abro a grande porta que dá para minha varanda e imediatamente estou dentro do meu jardim.
É um ritual do qual participo todas as manhãs, mesmo nas manhãs chuvosas.
Eu o considero quase sagrado, já que dá de frente para a igreja de Santa Cecília.
Até parece que as plantas dançam ao som do badalar do sino assim que o dia nasce.
Feliz da criatura que, como eu, ainda encontra num jardim paz ao seu espírito, que sente prazer em cuidar das plantas, que sente orgulho e emoção ao ver uma pequena muda desenvolver-se em folhas , flores e frutos.
Sim, frutos!
Porque no meu jardim cultivo romãs , laranjinhas e tomates!
Os pequenos tomates vermelhinhos vão na salada da minha filha, que com orgulho apregoa :
"- É do jardim da minha mãe!"
Talvez por isso, nunca sinto-me só. Sinto-me rodeada de amigos.
O meu jardim é um pequeno oásis numa cidade de concreto e fumaça.É onde meu pensamento viaja enquanto contemplo uma nova flor surgindo ou um pássaro qualquer que veio tomar da água dos meus bebedouros.
É impossível não sorrir e ter o coração invadido de amor!
No meu jardim moram meus sonhos e a alegria de acordar todos os dias!

Nana Pereira

sábado, 4 de julho de 2009

A melhor hora do dia


Quase 23h , estou cansada, com fome , mas estou muito feliz.
Vou explicar porque.
Hoje foi a comemoração de final de semestre da orquestra que faço parte.
A cada seis meses fazemos um Festival onde se apresentam corais, bandas, orquestras, e afins.
A apresentação começou às 7:45 ( com atraso, é claro!), mas estávamos no clube desde as 15:30h.
Correu tudo bem, alguns deslizes,uns tropeções, mas final feliz.
Nem sei porque estou falando de música, já que o assunto é totalmente diferente.
Ah! Lembrei!
Tivemos um intervalo antes de começar ao Festival e fiquei pensando em como estava frio e em como seria bom estar em casa tomando um capuccino quentinho.
Seria , definitivamente a melhor hora do dia.
Lembrei de quando minha caçula era pequena e não queria de jeito nenhum ir para o jardim de infância.
Todas as manhãs era a mesma coisa, uma choradeira sem fim, leite entornando na toalha da mesa, ela agarrando-se aos meus cabelos, aos meus brincos e uma vontade de chorar junto com ela.
Afinal, ela só tinha 3 anos de idade e era dona dos cachinhos mais lindos que já vi na vida..
Após várias semanas de soluços e corações partidos, tive uma idéia brilhante!
Sentei ao lado dela no sofá enquanto penteava seus cachinhos e perguntei:
- Você sabe qual a melhor hora do dia?
Ela olhou bem dentro dos meus olhos e respondeu:
- Não sei mamãe, qual é?
- É a hora de buscar você na escolinha, respondi.
Ela ficou quieta e eu continuei , por isso você tem que ir para a escolinha.
Se você ficar em casa, como teremos a melhor hora do dia?
Aquela hora em que você pula nos meus braços, engancha as pernas em torno da minha cintura e me conta tudo o que aprendeu, as musiquinhas que cantou, os desenhos que pintou e eu aperto você , encho suas bochechas de beijos e vamos para casa almoçar.
A partir daquele dia, ela parou de chorar e quando ameaçava um choramingo eu perguntava:
- Qual a melhor hora do dia?
Imediatamente ela gritava:
- Hora de "bucar"!

Nana Pereira

domingo, 28 de junho de 2009

O baile

"Pelo exemplo de Beatriz compreende-se facilmente como o amor feminino dura pouco, se não for conservado aceso pelo olhar e pelo tato do homem amado."
Dante Alighieri








Formavam um par perfeito, parecia que haviam sido talhados um para o outro.
Era incrível como suas almas e seus corpos se entendiam .
Ele costumava dizer- "Você é o meu número", e ela respondia - "Você é perfeitinho para mim"!
Os anos passaram e ele nunca a pediu em casamento.
Ele dizia que a amava.
Ela o amava.
Um dia , ela cansou de esperar, sabia que não viveria sem ele, mas também não mais conseguiria viver apenas de alguns momentos.
A vida seguiu seu curso e cada qual com seu destino.
Ela tornou-se uma reclusa, poucas vezes foi vista depois da separação. Passava horas escrevendo poemas, namorando as estrelas e imaginando como poderiam ter sido suas vidas.

Tantos anos sem vê-lo, tantas lembranças guardadas em uma caixa de madeira , e agora aquele convite para uma festa à fantasia.
Tomou coragem e resolveu comparecer. Iria disfarçada, não queria que a reconhecessem.
Há muito não era mais a mesma.
O sorriso que era sua marca registrada havia sumido de seu rosto, os olhos alegres e brilhantes tinham agora uma pequena luz triste.

Quando chegou ao Clube ficou espantada com a quantidade de luzes e com a decoração.
Parecia um castelo de contos de fadas, mulheres vestidas com roupas brilhantes, diáfanas, homens em trajes ora engraçados, ora saídos de um conto de Perrault.
Entrou sorrateiramente com sua fantasia azul ( uma mistura de fada e princesa árabe) , subiu a escadaria de mármore e encostou-se a uma pilastra de forma que ficasse observando sem ser vista.
O local estava cheio de pessoas alegres, as paredes azuis pareciam ter ouvidos, as grandes janelas brancas mantinham-se fechadas por ser uma noite fria de agosto.
Meia hora se passou quando de repente , uma figura masculina vestida de pirata lhe chamou a atenção.
Apesar do lenço na cabeça e do tapa olho ,não havia dúvidas, era ele.
Por um instante perdeu o fôlego, ficou sem ar e pensou que fosse desabar.Abriu uma das janelas para poder respirar e uma lufada de vento entrou agitando seu véu e levando seu perfume aos quatro cantos do salão.
Como se tivesse reconhecido o perfume, ele olhou por todo o recinto a procura daqueles olhos que brilhavam quando encontravam-se com os seus.
Foi até o terraço de onde podia-se ver um céu cheio de estrelas, aspirou o aroma da noite que misturava-se com a lembrança do perfume doce que ela usava.
Debruçou-se no balcão, fechou os olhos e a saudade invadiu toda sua alma . Tinha desperdiçado sua chance de ser feliz há muitos anos.
Abriu os olhos enevoados e vislumbrou um vulto de mulher envolto em véus azuis, dobrando a esquina.
Agora caía uma leve chuva , como se o céu chorasse a falta dela também.

Nana Pereira

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Um sonho nas savanas africanas

















O que será que acontece com nosso cérebro enquanto dormimos?
Sou expert em ter sonhos insólitos e mirabolantes.
Esta noite estive na África do Sul , assim, sem mais nem menos.
Conheço alguma coisa da África do Sul por ser curiosa e por ter uma filha que viaja para lá todos os anos a trabalho.
De repente chegamos ao continente africano, não sonhei com a parte aérea, portanto não tenho os detalhes do voo.
Lembro de perguntar várias vezes a minha filha se ela tinha certeza de que estávamos na África ou se eu estava sonhando.Ela respondia que não era sonho e aí eu entrava em pânico.
Como viajei e não avisei ao meu namorado, não cancelei trabalho e não avisei ao maestro que iria me ausentar dos ensaios da orquestra?
Ficamos em uma pousada que mais parecia um labirinto , uma casa antiga e cheia de corredores e portas.
Minha filha vai para sua reunião de trabalho e eu sento num banquinho próximo à pousada e fico observando dois leões adultos brincando de pega-pega , entre rosnados e rugidos.
Penso assustada se eles não irão me atacar e fico sentada sem me mover.
Os leões cansam de brincar e passam por mim como se eu fosse invisível. Nesse momento uma girafa começa a vir em minha direção, lentamente com aquele seu andar elegante.
O engraçado é que a girafinha não tinha o pescoço tão comprido, mais parecia uma girafa de desenho animado. Rapidamente vou pegar minha máquina digital na bolsa para fotografar tão ilustre figura.
Miro na girafa e bato a foto... droga! A pilha acabou bem na hora da foto.
Abro a bolsa novamente à procura das pilhas e vejo um monte de papéis, recibos, batons e pasmem, um pão francês.
A cena some e logo em seguida estamos andando num local parecido com um shopping ( Talvez Cape Town) e minha filha conta sobre sua reunião de trabalho.
De repente avistamos um Mc Donalds e ela aponta com interesse.

O sonho termina aqui, não sei se entramos na lanchonete.
Fui acordada pelo telefone e nem lembro quem foi o desmancha prazer que me trouxe de volta dessa viagem inesperada.

Nana Pereira

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Na cozinha com Nadiona!

















É o que sempre digo, cozinha é uma coisa traiçoeira!
A gente entra cheia de boas intenções e sai chamuscada e com a cara no chão.
Há dias andava com vontade de fazer um antepasto de berinjela, queria usar a pimenta que colhi no meu jardim.
Pois bem, comprei a berinjela, colhi as pimentas , usei o melhor azeite da casa ( minha filha vai me matar) e entrei na cozinha toda prosa .

Abri o caderno de receitas:

Berinjela ao alho e pimenta

600g de berinjela
4 colheres de sopa de azeite de oliva
2 colheres de sopa de vinagre de vinho tinto
1 pimenta dedo de moça
4 dentes de alho cortados
1 colher de chá de orégano
sal a gosto

Lave bem as berinjelas e corte-as em cubos de 2cm, salgue e coloque em uma peneira para escorrer o excesso de líquido.
Deixe descansar por 30min.
Escorra e passe em água corrente.
Coloque sobre um pano e aperte suavemente para retirar a umidade.
Unte uma assadeira com azeite de oliva e acomode as berinjelas, leve ao forno em temperatura média por 40minutos.
Retire do forno e coloque em uma tigela.
Fatie a pimenta bem fininho. Em uma frigideira aqueça o azeite , adicione o alho e a pimenta . Refogue e adicione o vinagre.
Retire do fogo e despeje sobre as berinjelas assadas .
Misture bem e salpique com orégano e um pouco de sal.
Leve à geladeira e sirva como antepasto.


Como a receita mandava deixar 40min no forno, então fui molhar o jardim enquanto esperava o tempo passar.
Qual não foi minha surpresa quando abri o forno ( estreia do fogão novo que mamys me deu) e avistei cubinhos de carvão no pirex.
Fiquei passada!
Recolhi os pedaços de carvão e atirei-os ao lixo, o coração apertado, a boca salivando.
É! Não se pode ter tudo mesmo.
Sempre digo que eu tinha que ter alguns defeitos, mas queimar comida tinha que ser um deles?

Nana Pereira

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Coleções




















Cada um de nós traz dentro de si um pequeno mundo , cheio de mistérios e inquietações.
Muitas vezes passamos toda uma vida sem que alguém realmente perceba o que vai dentro de nossos corações.
Corre-se tanto atrás do tempo que não se tem tempo para viver realmente.
Às vezes é só questão de perceber as entrelinhas, aquelas pequenas mensagens que enviamos todos os dias e que passam em branco.
Descobri recentemente na casa de uma amiga, uma coleção de relógios, lindamente acomodada em uma mesa com tampo de vidro.
Fiquei fascinada com a beleza das peças, o cuidado com que são guardadas.
A coleção é do marido dela. Fiquei pensando no que leva alguém a colecionar relógios e tenho minha teoria.
Penso que o marido em questão deva ser extremamente metódico, organizado e meticuloso.
Talvez tenha passado sua vida correndo atrás do tempo e perdido grandes chances de viver realmente em função de seus desejos e sentimentos.
Tenho um outro amigo que coleciona sinos. Sinos de todos os tamanhos e cores.
Este, passou e passa boa parte de sua vida dentro da igreja . além de frequentar os cultos religiosamente, faz parte da orquestra e ganha seu sustento trabalhando na entidade.
Quando nos encontramos, ele faz comentários sobre minha ausência periódica nos cultos e diz que decididamente não vou para o céu.
Bem, se o passaporte para o céu depender do número de vezes que vou à igreja, realmente estou em maus lençóis.
Tive uma conhecida que colecionava cães, pequenos bibelôs espalhavam-se pelos móveis, prateleiras e estantes. Sua paixão por cães ficava no âmbito das porcelanas e cristais, já que os de verdade passavam longe de sua vida.
Acho que coleções são imprescindíveis na vida de uma pessoa, elas dizem muito sobre o interior de uma pessoa.
Tenho algumas coleções que decididamente falam muito de mim.
Tenho uma pequena coleção de bonecas que encanta meus olhos e meu coração. Talvez por não ter tido muitas na infância, ou por carregar dentro de mim uma criança com sede de brincar e de viver.
Tenho coleção de canecas, de vários tamanhos e de várias nacionalidades. Como sou apreciadora de café e cappuccino, talvez isso explique o encanto pelas peças.
Coleciono chaveiros há muitos anos, tenho uma caixa mais ou menos organizada (o forte do pisciano decididamente não é a organização) onde os atiro depois de usá-los por um tempo. Talvez a explicação esteja no número de vezes que mudei de residências e na quantidade de chaves que às vezes nem sei de onde são e para que servem.
Mas, de todas as coleções que tenho, a melhor e a mais amada , é a minha coleção de cartas,fotografias, cartões e bilhetinhos de amor.
Estas estão em um baú , cresce a cada dia e são verdadeiramente o meu tesouro.
Sei que essa coisa de coleção é um pouco de bobagem, nada levaremos daqui quando partirmos, mas gosto de ler e reler pequenas mensagens de amor e carinho que recebi ao longo da vida e invariavelmente me emociono e sinto saudade de momentos em que fui tão feliz.
Sei que não vou levá-la , mas nela deixarei um pouco de mim para os amigos, para as filhas e netos (se um dia os tiver).
É a prova de que por aqui passei, vivi, amei, existí.

Nana Pereira

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Teste de honestidade

















A história se passa nos anos 80 , sala de aula da escola americana do colégio Mackenzie.
Minha filha Ana Carolina resolveu fazer um teste de honestidade com um amiguinho da classe.
Pega de sua mochila uma nota de UM REAL , amassa e joga perto da carteira do menino e imediatamente pergunta ao mesmo se o dinheiro é dele.
Rapidamente o coleguinha diz que sim , pega a cédula amassada e coloca no bolso.
Ela chega em casa e conta o episódio , meio decepcionada, mas aliviada por ter descoberto que o menino além de mentiroso é desonesto , portanto não é digno de sua admiração.

Pois é!
No mundo em que vivemos, o normal é ser desonesto e mentiroso, quando encontramos uma pessoa honesta ficamos surpresos.
A honestidade deveria ser uma coisa preciosa para nós, mas vamos combinar, com os políticos que temos, que acham normal roubar , que desviam dinheiro para suas contas pessoais no exterior e que dizem que estão se lixando para a opinião do povão, o que podemos esperar de nossas crianças?
Quando lembro desse episódio ainda tenho esperança de que nem tudo está perdido.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Só pra contrariar!

























Em época de gripe suína não dá para resistir, e de vez em quando, é deixar aflorar nosso lado espírito de porco!

A história se passa num dos Self Services em que almoço.

Normalmente saio para comer quando minha barriga já está aos roncos , pedindo socorro e chego ao local esfomeada.
Esta semana , tomei banho e para não perder tempo , nem sequei os cabelos ( agora com escova progressiva só na franja rebelde e indomável).

Entrei na fila para pegar a comida e bem atrás de mim estava uma senhora de uns 65 ou 68 anos mais ou menos.
A fila não andava e a distinta senhora começou a puxar conversa comigo:
- Não sei porque esse pessoal demora tanto para pegar a comida.

Calada fiquei!

Estava inconformada porque uma das mocréias que estava na minha frente pegou todas as mangas da salada de fruta.

Revoltada a já não tão distinta senhora disparou:
- Você não acha que esse povo demora demais para pegar a comida?

Abri a boca e fechei novamente, pensei um pouco e , neste momento o tal espírito de porco baixou em mim!

- Eles estão escolhendo o que vão pegar, minha senhora.

Ao que ela respondeu:

- Mas eu quando entro na fila já sei o que vou pegar.

Respondi com cara de pessoa meiga e tolerante:

- Eles olham e pensam se querem comer aquilo, né?

A pobre velhinha incompreendida calou-se e botou o rabo entre as pernas.

Por dentro, fiquei pensando em como tem gente lerda nesse mundo. Tem gente que aproveita para bater papo na fila, falar no celular e não se importa se tem alguém esfomeado esperando a vez.

O fato é que naquele dia eu tinha feito um lanchinho às 11h e não estava desesperada de fome , senão tinha endossado a reclamação e dado uma cotovelada nas duas mocréias que estavam na minha frente, agindo como se não houvesse amanhã.

Nana Pereira

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Os olhos da noite






















Oh noite
despeja teu orvalho sobre nós
que o vento suave inunde o espaço
e leve o perfume de absinto até os meus sonhos
que tremulam num imenso varal imaginário
que o luar sereno e silencioso derrame sua luz
e clareie todo o campo onde florescem cerejeiras.
Nana Pereira


Ela programara tudo minuciosamente, nada podia sair errado!
Afinal, era o seu primeiro jantar à luz de velas.
Não pregara o olho durante toda a noite e apesar da sonolência, nunca estivera tão feliz assim em toda a sua vida.
A mesa da sala de jantar foi coberta por uma toalha branca com bordados delicados de flores cor-de-rosa, as velas também eram cor-de-rosa e no centro da mesa pousava um arranjo com ramos de flor de cerejeira.
Enquanto preparava a sobremesa, cantarolava uma música de Djavan que dizia "De tudo que há na Terra não há nada em lugar nenhum, que vá crescer sem você chegar..."
Sem dúvida, estava feliz como nunca estivera.
Os talheres, as taças para o vinho, o pão italiano, o patê que fizera com tanto amor, eram a prova de que nunca devemos desistir de um sonho.
Ali estava ela, com creme nos cabelos, no rosto, preparando-se para um jantar romântico com aquele homem que chegou de mansinho, despretensioso e um pouco tímido no início.
Por volta das 18:30h tudo já estava pronto, a mesa, o jantar, o cd com músicas de Rod Stewart no aparelho de som, o incenso de absinto e o kimono vermelho transparente, com desenhos em dourado.
Ah se ele soubesse o quanto havia esperado por esse momento!
No horário combinado, ele chegou com aquele sorriso que deixava-lhe à mostra uma covinha no lado esquerdo do rosto.
Decididamente foram feitos um para o outro, não havia dúvida!
Havia um certo ruído de corações pulsando, um perfume doce que emanava dos cabelos dela, um roçar de mãos , olhares de amor e desejo.
A noite estava perfeita, a janela entreaberta deixava entrar um vento suave que fazia a cortina tremular como se fossem arrepios.
Comeram, brindaram, tomaram o vinho, conversaram, riram das bobagens que ela soltava vez ou outra durante o jantar e amaram-se com o olhar.
Quando começou a tocar a música "night and day" , ele tirou-a para dançar.
Tomou-lhe as mãos, enlaçou sua cintura, aspirou o perfume de seus cabelos e colou seu corpo ao dela.
Dançaram como se estivessem nas nuvens, sob o olhar atento da lua e das estrelas.
E como na música de Chico Buarque, olhou-a dum jeito muito mais quente do que sempre costumava olhar, começaram a se abraçar ,e foi tanta felicidade que toda cidade se iluminou.
E foram tantos beijos loucos, tantos gritos roucos como não se ouvia mais.
Que o mundo compreendeu
E o dia amanheceu
Em paz.

Nana Pereira

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Confissões de uma mãe


Minha relação com crianças sempre foi de uma certa estranheza.
Diferente da maioria das mulheres, nunca fui dada a fazer festinha para bebês e ficar encantada com nenenzinhos babões passeando no carrinho com sua mãe.
Fazer bilu bilu então, nem pensar.
Nunca tive esta vontade louca de ter filhos!
Talvez por vê-los sendo educados como bonecos ou como monstrinhos egoístas e sem limites.
Porém, aos vinte anos , uma semente em meu ventre transformou-me em árvore frutífera .
Nesse momento comecei a colocar em prática tudo aquilo que imaginava de como se devia educar uma criança.
Sem nenhuma experiência , fui desenvolvendo um tipo de educação personalizada, não estereotipada, nem copiada de livros.
Queria educar com conteúdo, com respeito , com humor e com amor.
Minhas filhas dormiam ao som de Berceuse em alemão e Frére Jacques em francês , cantarolados em voz baixa , quase num sussurro.
Brincávamos de aprender, líamos histórias , nas quais eu dava um final menos bobo e infantilóide, lia para elas Guy de Maupassant, contava as histórias das óperas, comprava livros que instigasse a inteligência , a criatividade e a sensibilidade.
Brincávamos de fazer poesias, desenhos, bordados, escrevíamos bilhetes e cartinhas umas para as outras.
Livros eram encontrados em toda a parte da casa, cartazes com citações, provérbios e declarações de amor eram espalhados pelas paredes, nas portas dos armários e na lousa que tínhamos na cozinha.
Não queria ter filhos, queria ser mãe!
Mãe de criaturas pensantes e amadas.
Aquelas festinhas da escola, as apresentações de música, as competiçoes de ginástica olímpica,as formaturas e os espetáculos de dança, eram compromissos importantíssimos e preciosos na minha vida.
Não, eu nunca quis ter filhos, queria ser mãe!
Não daquele tipo tradicional, mandona , autoritária e repressora, mas do tipo amorosa, conselheira , brincalhona e companheira.
Do tipo que diz não e explica os porquês, do tipo moleca que entra na dança e chora de tanto rir, do tipo que se coloca no lugar do filho e entende suas limitações.
Cometi alguns erros , mas quem não os comete?
O importante não é nunca errar, não pecar, não tomar decisões erradas e ser alguém exemplar.
O importante mesmo é é ter a coragem de admitir as falhas, a humildade de pedir perdão, calar na hora certa e falar quando a situação assim o exigir; o importante é deixar as lágrimas caírem e permitir que os filhos saibam que somos humanas , cheias de defeitos , manias e sonhos .
Não quero ser lembrada apenas num único dia do ano, não quero que me visitem por obrigação.
É muito pouco ser lembrada apenas nas datas comerciais, por isso não me desejem feliz dia das mães.
Deixo esta comemoração para aquelas que quiseram "ter filhos".
Para as outras, as que desejaram ser mães, minha simpatia e meu desejo de feliz vida , todos os dias.

Nana Pereira

segunda-feira, 30 de março de 2009

E Deus fez a mulher....



























... E Deus fez a mulher....
Houve festa no paraíso.
O Eden encheu-se de flores e assim surgiu a primavera...

Deus deu à mulher inteligência e sensibilidade,
e imbuída desta sensibilidade ela deu nome às flores.

Deus deu à mulher um corpo capaz de gerar vidas,
e ela uniu o ato sexual ao amor...

Deus deu à mulher uma voz suave, doce e melodiosa.
e ela a usou para acalentar , ninar e educar os filhos...

Deus deu à mulher um temperamento dócil,
mas alguns homens chamaram a isso submissão...

Deus deu à mulher uma força interna descomunal,
e ela a usa até hoje para lutar pelo que acredita....

Por fim, Deus deu à mulher infinita capacidade de seduzir o coração dos homens,
E ela sussurrou pela primeira vez as palavras "eu te amo".

Nana Pereira

domingo, 29 de março de 2009

Poeta e louco






















Diz a sabedoria popular que de poeta e louco todos nós temos um pouco.
Pois eu acrescentaria astrólogo também.
Por que não?
Como astróloga dividiria o zodíaco em seis partes apenas, para facilitar e não perder tempo.
Teríamos apenas seis signos:
Abelha; beija-flor, cigarra, formiga, borboleta e gafanhoto.
As pessoas do signo abelha, seriam doces, diligentes, mas por vezes intolerantes .
Haveria mel por toda a parte e nunca seriam diabéticos.
As pessoas beija-flor seriam aquelas beijoqueiras, carinhosas, mas que estão sempre correndo contra o tempo.
As pessoas cigarra, teriam tendência às artes. Seriam cantores,pintores, escritores, músicos. Seriam visionários e enxergariam beleza nas pequenas coisas. e não teriam pressa para nada.
As formigas seriam aquelas que primam pela organização, colocam ordem nas coisas, trabalham como um cão e quando caem na cama não dormem, desmaiam.
Todas as pessoas borboletas seriam alegres, encheriam a vida de cores, leves e bem humoradas. Sem elas o mundo seria preto e branco.
As pessoas gafanhotos seriam aquelas que ninguém quer por perto, chatas,pessimistas , sem criatividade, cheias de preconceitos e chavões. Não que as pessoas sob o signo de gafanhotos sejam más, elas só não sabem ser boas.

Conseguiu se ver em algum desses signos?

Talvez o mundo esteja precisando de coisas simples assim, nada de complicações!

Nana Pereira

O homem que não calculava


























Achava que estava ficando velho, que dali para frente sua vida seria morna e sem maiores alegrias, afinal já passara dos quarenta anos.
Estava conformado em envelhecer como a maioria das pessoas , usar pijamas para dormir, molhar as plantas, preparar o café , ir trabalhar e às sextas-feiras tomar cerveja com os amigos.
A vida é mesmo imprevisível!
Aquela noite de sábado, mudaria sua vida para sempre.
O outono acabara de chegar, mas aquela noite ainda conservava ares de verão, as pessoas vestiam roupas leves e bebiam cerveja ao som de uma música ambiente.
A curiosidade o levara àquele lugar, nem mesmo sabia se a veria, mas num ímpeto de loucura fez a volta na rua movimentada e seguira seus instintos.
O local era pequeno, pouca luminosidade,não conhecia ninguém. Sentou-se no balcão e pediu uma cerveja enquanto pensava se a veria naquela noite.
Olhava a sua volta de vez em quando, mas a porta de entrada era o seu alvo maior.A cada pessoa que entrava seu coração disparava para logo em seguida sossegar e surgir novamente a ansiedade de vê-la.
Sorveu a cerveja em pequenos goles, os olhos fixos na porta , o peito apertado já quase sem esperança.
Lá pelas 22h, eis que uma mulher entra como uma lufada de vento, cabelos despenteados, na mão direita um estojo preto com o que parecia ser um violino.
Era ela , não teve dúvidas.
Continuou sentado no bar, terminou sua cerveja e aproximou-se vagarosamente, em silêncio como só os gatos sabem fazer.
Ela estava de costas , cabelos presos , brincos de estrelas prateadas .Tocou-a levemente no ombro para chamar sua atenção, ela virou-se e seus olhos encontraram-se, numa questão de segundos ela o abraçou reconhecendo-o, talvez de uma outra vida.
Estávamos no outono, mas de repente foi como se a primavera se instalasse na Terra, o perfume dela tomou conta de sua alma deixando-lhe meio tonto.
Havia matado sua curiosidade, agora a vida seguiria seu curso normalmente...
Que tolice! O homem voltado para os números e para as ciências exatas, esquecera que o coração não é exato , é humano.
Naquela noite uma borboleta pousou na flor e nunca mais foi embora.

Nana Pereira

sábado, 28 de março de 2009





















Mais um ano que se foi e normalmente a maioria das pessoas chega à conclusão que precisa perder uns quilinhos.
Existem dietas de todos os tipos, para todos os gostos!
Acho este assunto tão enfadonho!
Acredito que cada um de nós saiba exatamente o que está fazendo de errado.
Eu sei, por exemplo, que não deveria ter comido 3 pedaços de torta de limão todos os dias como fiz no ano passado.
E nas últimas semanas do ano, emagreci quase 2kg só por que tomei verdadeiro pavor da torta de limão.
As roupas ainda não estão entrando perfeitamente, mas já vi que minha aversão à torta começou a surtir efeito!
Nada de culpar o estresse, a depressão, a solidão, os filhos, muito menos os vizinhos que sabem cozinhar e deixam o aroma delicioso de suas comidas penetrarem em nossos lares.
Os verdadeiros vilões da história são os alimentos ditos lights ou diets que são horríveis .
Alguém já provou chocolate diet? E geléias diets?
São um atentado à vida!
Se fossem gostosos não haveria problema em trocar os alimentos calóricos por eles.
Quanta injustiça nesste mundo gastronômico!
Por que tortas, bolos e pães engordam?
Seria o mal do século?
Ontem uma amiga convidou-me para um lanche em sua casa!
Ela sabe que adoro o pudim de leite que ela faz no forno e o tal pudim seria o artista principal!
O problema é que ela aderiu à moda diet e usou leite desnatado e leite condensado desnatado.
Pronto! Todo encanto do pudim foi para o beleléu!
Tenho que confessar que nem repeti!
Todo mundo querendo emagrecer a qualquer preço , passando por dietas mirabolantes,comidas insossas drogas que alteram a saúde emocional.
Arre! Quero isso para mim não!
Imaginem uma vida sem café com chantilly!
Tirem-me o brócolis, a alface americana, a ricota, mas não me tirem as tortas com cobertura de
marshmallow!

Nana Pereira

Desabafo de uma mulher


























Hoje recebi uma mensagem com o título "Desabafo da mulher moderna", isso me fez pensar sobre um passado que não vivi, tenho apenas uma vaga idéia do que deva ter sido a vida das mulheres no tempo de nossas avós.

A tal mulher moderna diz : Se tivesse filhos, gastaria a manhã brincando com eles, se tivesse cachorro, passeando pelas redondezas…Aquário? Olhando os peixinhos nadarem…Se eu tivesse tempo… gostaria de fazer alongamento… Brigadeiro…
Gostaria de saber quem foi a mentecapta, a infeliz matriz das feministas que teve a estúpida idéia de reivindicar direitos de mulher… queria saber.

Bem, tive a nítida impressão de que a autora do desabafo é uma mulher muito triste e infeliz, pois em pleno século XXI faço brigadeiros, bolo de chocolate, bordo as toalhas de banho,faço os arranjos de mesa para o Natal ,toco violino em uma orquetra, leio para minhas filhas , passeio com minha cachorrinha e nem sou feminista.
Aliás, não sou feminista nem machista, sou MULHER.
Não acho que estava tudo bem no tempo de nossas avós!
Devia ser muito triste não podermos aprender a ler, não termos direito ao voto, de não podermos sequer escolher nossos futuros maridos.
Sem falar que muitas mulheres nem chamavam seus maridos pelo primeiro nome, deviam-lhes obediência e submissão e dependiam deles para comer.vestir e pensar.
O amor era feito sob as cobertas e sentir prazer era para as mulheres de vida fácil , como eram chamadas.
Pouco poético, não?.
Ainda hoje, podemos trocar receitas, ler ótimos livros de nossas próprias bibliotecas , bordar o vestido que usaremos na noite de autógrafos de nosso próprio livro, semear crisântemos e dálias no jardim de nossa casa, colher tomates de nossa pequena horta .

Aí vem uma fulaninha qualquer e diz que felizes eram nossas avós que gostavam de usar espartilhos que as deixavam quase sem respirar e que nosso espaço deveria resumir-se entre as quatro paredes devidamente pagas pelo marido provedor que generosamente nos deixava decorá-las.
Hoje podemos escolher se queremos casar ou ficarmos solteiras, podemos usar livremente nossos neurônios , respirar e decidir que rumo queremos dar as nossas vidas.
Antigamente os casamentos duravam para sempre e a infelicidade e a insatisfação feminina também.

A fulaninha diz que "Não agüenta mais ser obrigada ao ritual diário de fazer escova, maquiar, passar hidratantes, escolher que roupa vestir, e que sapatos combinar, que acessórios usar. tão cansada de ter que disfarçar seu humor , que sair sempre correndo, ficar engarrafada, correr risco de ser assaltada, de morrer atropelada, passar o dia ereta na frente do computador, com o telefone no ouvido, resolvendo problemas que nem são dela!"

Ora bolas! Não use os hidratantes, não faça escova progressiva , não use maquilagem , fique mau humorada, solte a franga , vá fazer uma terapia cognitiva!!

Mas viva plenamente!

De minha parte, quero alguém que chegue do trabalho, sente no nosso sofá, coloque os pés pra cima e diga “meu bem, que bom que já estamos em casa”.
Descobri que nasci para ser feliz e se tiver um homem ao meu lado, que ele seja meu companheiro, não dono da minha vida!


Nana Pereira

sábado, 7 de março de 2009

Tannhäuser
























Com um ataque preciso das flautas e clarinetas a música se inicia.
Por um momento penso que todos ouvem as batidas do meu coração.
As cordas em silêncio respeitoso, aguardam o momento certo para juntarem-se à orquestra.
Enquanto conto as pausas e acompanho a evolução dos metais, minhas mãos apertam o violino e todo meu corpo estremece.
Meu Deus! Quão bela é a música de Wagner!
Os violinos e violas dão seus primeiros acordes e lentamente a melodia entranha-se na minha alma.
Meus olhos acompanham a partitura, minha mão acaricia o violino e meu cérebro fica tomado de lembranças de que coisas que nunca vivi.
Penso nos milhões de mulheres judias sendo torturadas e mortas ao som de Wagner. Meu peito parece que vai explodir , meus olhos enchem-se de lágrimas e uma tristeza sem tamanho toma conta de mim.
Minha tristeza aumenta quando penso na história universal das mulheres, que sempre foram tratadas como seres inferiores e sem valor.
A música vai chegando ao fim, entre lágrimas golpeio o violino com o arco, como se quisesse gritar para todos que o mundo só é mundo porque nós mulheres existimos e geramos vidas.
Parece incoerente para mim, existir tanta beleza nas mulheres e ninguém perceber.
Penso que uma cegueira tomou conta dos seres e ninguém vê as barbaridades que são cometidas contra nós mulheres , uma surdez convenientemente cruel que não ouve os pedidos de socorro e os anseios de nossos corações.
Não queremos a hipocrisia do dia internacional da mulher , queremos que nos olhem com olhos de amor, que nos toquem com mãos carinhosas todos os dias de nossas vidas.

Nana Pereira

quarta-feira, 4 de março de 2009

Minha fuga das galinhas

















Estava vendo televisão esta semana quando me deparei com um filme sobre galinhas.
Uma coisa sobre fuga de galinhas, sei lá, peguei já começado.
Quem me conhece sabe que tenho pavor de galinhas vivas, o que não quer dizer que não as coma com muito gosto.
É trauma de infância, tínhamos galinhas e patos andando livremente pelo quintal e invariavelmente , um deles me perseguia.
O fato é que o filme apresentava as galinhas como seres tão fofinhos, com touquinhas, colares, tricotando enquanto chocavam os ovos. Fiquei enternecida com as imagens.
Senti-me como uma criminosa, matando singelos animais para saciar minha fome humana.
É sabido que desde que o mundo é mundo, os homens caçam para comer, portanto não fui eu quem começou com o abate de animais, mas as cenas do tal filme me abalaram profundamente.
Hoje fui almoçar num restaurante e pela primeira vez , ao olhar o cardápio comecei a imaginar os animais sendo abatidos para nos banquetearmos e fugi literalmente das galinhas.
Desolada, escolhi alimentos apenas vegetais, bolinhos de abobrinha, tomates, couve-flor empanada, arroz integral e feijão.
Sinceramente não consegui pegar nada que me lembrasse do filme.
Assim como sou uma carioca fajuta que não gosta de samba, carnaval e sol, também sou uma carnívora fajuta.
Gosto de peixes, frangos e carnes em geral, mas fico muitos dias sem comê-los por livre escolha.
Não sei se conseguiria ser totalmente vegetariana. Essa coisa de só comer folhinhas e frutas deixam-me até com fraqueza, por enquanto ficarei um bom tempo longe dos pratos carnívoros.
Penso que o sujeito que escreveu o roteiro do filme deva ser vegetariano e apaixonado por galinhas.
Já vislumbro um novo filme sobre peixinhos e porquinhos falantes e indefesos, fugindo dos homens malvados e gananciosos que querem comê-los.
Aí será o tiro de misericórdia em minha vida gastronômica!
Enquanto isso não acontece, que venham os tomates e as batatas,já estou pesquisando receitas à base de legumes e verduras para adaptar meu paladar aos novos tempos.

Nana Pereira

domingo, 1 de março de 2009

Hoje é o dia do meu aniversário!


O que dizer ...
Parabéns pra mim... nesta data querida...
Dizer que adoro fazer aniversário, que agradeço a Deus por todos os dias, por minha vida, pelo ar que respiro, pelas estrelas no céu, pela Lua, linda, que amo e posso apreciar algumas vezes, pelas filhas maravilhosas que tenho,por poder ter o direito de falar o que penso, me expressar sem ter medo.
Agradeço por viver, por estar viva.
Quero que o dia passe devagar, pra que eu possa aproveitar cada momento bom que tiver.
Bem... hoje é meu aniversário estou feliz e me sentindo mais jovem, engraçado mas é a pura verdade.
Beijos, abraços pra mim e tudo de muito bom na vida também.
Que todos os meus desejos se realizem, que a vida possa me dar coisas boas e se tiver ruins poucas...

sábado, 28 de fevereiro de 2009

Blogs que adoro!















Recebi esse selo da Daiane e fiquei muito honrada com o presente.
Agora é minha vez de presentear meus amigos queridos!

Meus indicados são:

Ana Paula- http://contatos-imediatos.blogspot.com/

Ana Carolina- http://aninhaleme-gettingreal.blogspot.com/

Isadhora- http://isadhoracamacho.blogspot.com/

sábado, 21 de fevereiro de 2009

Missão cumprida
















Hoje, em pleno sábado de carnaval,fui intimada pela minha filha a dar cabo de um monte de correspondência que eu meigamente deixava em cima de uma cadeira na sala de estar ( detalhe: minha sala não tem sofás,minha cachorrinha Babynha comeu os dois que haviam na casa).
Confesso que tenho preguiça de abrir correspondências que não sejam pessoais.
Pensando bem, ninguém mais envia cartas pelo correio! Que pena!
As únicas coisas escritas manualmente que recebo são os bilhetinhos de amor e reclamações da minha filha e os cartões que vem junto com as flores que vez ou outra ganho.
Pois bem!
Munida do meu super óculos meigo, não tive outra escolha!
GENTEEE!
Tinha correspondência de 2006 e 2007!
Encontrei também uma correspondência do Banco com um cartão para ser usado junto com o cartão de débito, quando fosse sacar dinheiro na máquina.
Detalhe: Eu cheguei a ligar para o Banco esculhambando por não ter o tal cartão, aí eles me mandaram outro.

Resumão:

Agora a cadeira ficou vazia e já dá para ser interrogada sentada nela, com direito à luz na cara e goteira na cabeça!
Sou culpada, confesso!
Que venha a sentença!

Nana Pereira

Dies sollemnis natalis

























O mês que antecede o aniversário de alguém é o período conhecido popularmente como "Inferno Astral" . Nesta época, muitas pessoas acreditam viver momentos torturantes de angústia, depressão ou até mesmo azar, atribuindo as turbulências a alguma configuração astrológica misteriosa e malvada.
Existem algumas explicações para entender estes trinta dias temidos antes da inauguração de uma nova idade. O aniversário nada mais é do que uma nova etapa para a sua vida.
Claro que você sempre pode dizer algo como "ahhhh, por isso que eu sempre fico deprimido durante o inferno astral" ,como se houvesse ,uma espécie de conspiração em andamento. mas isso em geral tem a ver com algo chamado ficar velho.
Desde a Antiguidade, os romanos já comemoravam o dia do nascimento de uma pessoa, conhecido como "dies sollemnis natalis". Os tradicionais bolos de aniversário surgiram na civilização grega, quando os adoradores da deusa Ártemis, passaram a oferecer em seu templo um preparado de mel e pão, no formato de uma lua.
Rubem alves diz que a celebração de mais um ano de vida é a celebração de um desfazer, um tempo que deixou de ser, não mais existe. Penso que deve ser um momento para refletir, fazer um balanço, aparar arestas, corrigir erros e tocar o barco, sem medo do que pode vir pela frente.
Encaro como um momento especial de renovação para minha alma e meu espírito, capacidade de florescer a cada nova estação , de recomeçar a cada ano.
Viver é isso, nascer, acordar todos os dias até que um dia ... não mais acordar.
Os anos passam, apagamos mais velas, mas os bolos ficam mais saborosos e melhores os amigos.
A cada ano sinto que aprendi mais coisas sobre o que significa verdadeiramente viver, acrescento mais sonhos à minha lista, mas tenho que confessar que às vezes, por frações de segundos, sinto medo de não conseguir realizá-los todos.
É certo que não sabemos por quanto tempo ainda permaneceremos por aqui, e é esta dúvida que nos impulsiona, que nos faz ter ganas de viver , viver feliz e aproveitar cada momento que nos é concedido.
Gosto desses dias que antecedem o meu aniversário, dessa expectativa de festa, mesmo que não haja uma sendo programada.
Gosto imensamente de acordar no "meu dia" e esperar pelo presente mais precioso que podemos ganhar que é alguém lembrar do dia do nosso aniversário e quem sabe receber um bolo no formato de uma estrela.

Nana Pereira

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Meu jardim!



















Vocês pensarão: é um grande jardim na frente da casa!!
Nada disso!
É um jardim que fica na sacada do meu quarto, e é a primeira coisa que vejo todos os dias logo que acordo!!
É meu "Jardin de Tullerie "!
Porque para mim, é lindo, é magnifíco !
É onde florescem minhas gérberas, violetas, lírios da paz e flores de maio,
onde crescem folhagens de singônio e jiboias,
É onde cresce meu pé de romã, que um dia há de dar frutos!
É meu oásis numa cidade de prédios e fumaça,
É onde algum dia voarão borboletas e colibris!
Mon jardin de Tullerie!!!
By Nana Pereira

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Viver é uma aventura diária!


























Viver é uma aventura diária!
Não há um dia sequer em minha vida em que eu não tenha provas disso!
Fico pensando naquelas pessoas que acham que todos os dias são exatamente iguais e enfadonhos.
Por aqui não é assim que a banda toca!
Aliás, essa banda toca que é uma beleza, nem sempre afinada, mas toca!
No sábado fomos comprar frutas e ingredientes para comidas saudáveis.
Gosto de comprar verduras e frutas, têm um cheiro tão bom!
Fizemos apenas umas comprinhas necessárias e já estávamos no caixa quando minha filha sabiamente lembrou do abacaxi.
Enquanto ela ia tirando as coisas do carrinho, ofereci-me para procurá-lo.
Rapidamente cheguei à banca dos abacaxis e com um olhar de mulher experiente, escolhi um que parecia saudável e comestível.
Sorridente e de abacaxi em punho , entreguei-o à moça do caixa para que fosse adicionado às compras.
Mal sabíamos que passaríamos por uma experiência aterrorizante com a tal fruta em questão.
No dia seguinte, começaram a aparecer umas mosquinhas irritantes na cozinha, bem em volta da cesta de frutas , espantei-as com o pano de prato bordado pela mamys e não dei muita importância.
O fato é que as moscas fizeram uso capião da fruteira e isso era imperdoável!
Dois dias depois, uma água preta e suja começou a brotar do tal abacaxi , as moscas deliraram de alegria.
Decididamente o abacaxi estava com uma doença incurável!
As bananas que estavam ao lado , fugiram com medo de pegar a tal doença, até nossa cachorrinha passou evitar a cozinha.
Hoje pela manhã, embuída de muita coragem, fui obrigada a praticar a eutanásia no moribundo.
Coloquei o Réquiem de Mozart para tocar, e com uma luva descartável arranquei-lhe a coroa de rei da cocada preta, peguei o corpo já em putrefação e envolvi num saco plástico e "enterrei-o" na lata de lixo.
Quem não gostou muito da história toda foram as mosquinhas, sumiram como num passe de mágica!
Agora, tudo funciona como dantes no quartel de Abrantes.

Nana Pereira


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segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Bilhete de amor para uma filha























Não é fácil aceitar as pessoas assim como elas são, não como queremos que elas sejam, mas como elas são!

Sei que é difícil, muito difícil! É coisa para poucos.

É preciso escutar com os olhos e ouvidos, escutar com a alma .

Escutar o que diz o coração, o que dizem os olhos, as mãos que se movimentam sem parar.

Escutar a mensagem que se esconde nas entrelinhas; Descobrir a tristeza disfarçada, a insegurança , a solidão encoberta.

Desvendar o sorriso amarelo, a alegria inventada, o sono exagerado.

Comemorar as pequenas vitórias, as pequenas grandes alegrias partilhadas.

Só quem ama verdadeiramente consegue perceber estes mínimos detalhes,

Você consegue ver a minha alma, os meus defeitos, minhas qualidades, meus acertos e meus erros e ainda assim continua a me amar do jeitinho que sou.

Para você, eu tiro meu chapéu, meus sapatos;

Para você , eu daria todas as estrelas do céu, se pudesse;

Para você , entrego todo o meu amor e meu coração para sempre.


Nana Pereira

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Manual do beijo






















Existem vários tipos de beijos, deveria haver um manual que os definisse e explicasse.
Beijos são de suma importância na vida de um mortal!
Diria até, de importância vital, por que não?
Ninguém deveria passar um dia sequer sem beijos, penso eu!
Aqueles despretensiosos, sem nenhuma intenção de sedução,
Aqueles que são generosos e os damos nas mãos,
Beijos inocentes e sorridentes, que sapecamos nas bochechas .
Beijos barulhentos,beijos silenciosos, beijinhos,beijocas , beijos...
Beijo é bom em qualquer idioma. É sempre bom aprender,
Beso, bacio, kisu, kiss, bise, honi, kiso...
Beijos para depois do amor, aninhados ao corpo do outro, pernas entrelaçadas,
apoia-se o rosto no peito e deposita-se o beijo no ombro ,com suave mordida,
enquanto aspira-se o perfume que exala da pele.
Tem também os beijos perfumados,que são dados entre o pescoço e a orelha,
sutilmente, levemente, de olhos fechados.
Existem também aqueles beijos que damos com os olhos,
que ficam a passear pelo rosto da pessoa amada, sem pressa,
esses são ótimos para as madrugadas,
muitas vezes , finalizados com a boca, num tiro de misericórdia.
Mas, existem os beijos de almas, mesclados de doçura e loucura.
Começam com o olhar e com os olhos bem abertos mergulha-se na alma do outro,
Estes são os beijos que chamo de inesquecíveis!

Nana Pereira

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

O Cão de Nádia










Nádia era uma pessoa muito talentosa. Pintava, bordava e teclava como ninguém.

Além disto, fazia brigadeiros de outro mundo, tortas de frango maravilhosas – mesmo quando desprovida da massa Arosa - e um chá Matte daqui ó*.



*Tomada 1: neste momento a atriz puxa a orelha e faz cara de marmota, piscando os olhos alternadamente, quase que como um sintoma de quem tem TOC.



Nádia tinha um sofazinho na sua ante-sala, que acomodava as visitas, e servia de playground e refúgio para sua cachorrinha Baby Conan (Baby C para os bem íntimos).

Baby C. era uma cachorrinha muito ativa; no linguajar carioca, uma verdadeira Cã. Comia de tudo: ração, frutas, bolachinhas, recheio de brinquedos de pano até bens de consumo durável, como mesas e, é claro, sofás.

Um dia Baby C. descobriu seus dons de arqueóloga, e achava que havia um grande tesouro dentro do sofá. Após escavar bem o móvel e deixar à mostra muita espuma e mola, Baby C. chegou à conclusão que era alarme falso, e que o dinheiro grosso estava na psiquiatria**.



**Tomada 2: neste momento Nádia diz, com voz motivacional, olhando com muito carinho para Baby C.: “lute, meu rapaz, lute!”



O sofá, já desfigurado, teve que ser removido do local e doado, entes que algum mendigo o visse e resolvesse morar ali.



E desde então Baby C., como sinal de solidariedade pela perda do sofá, tenta se punir pelo ato destruidor: sempre que chega alguma visita, ela faz uma procissão até o corredor e dá 3 voltas dentro do elevador repetindo o mantra (em pensamento canino): Goosfraba, goosfraba.


Ana Paula Barros


PS: Ana Paula Barros, exímia caçadora de joaninhas, é filha de Nana Pereira e é apaixonada por brigadeiros.

sábado, 31 de janeiro de 2009

Lacrimosa



























“Lamparina”, obra de Vandeberg Medeiros






Fim do mundo é quando se perde a capacidade de sonhar e de ter esperança.
Nana Pereira




A seca era uma eterna ameaça na vida de Américo, um sertanejo calado , ensimesmado e cético.
Quando era criança, tinha esperança e sonho de que algum dia teria uma vida melhor, longe daquele lugar esquecido por Deus.
Costumava ir à igreja aos domingos com a mãe e os irmãos e lá ajoelhavam-se aos pés de uma imagem. Ficava imaginando como uma imagem atenderia seus pedidos .
Américo tinha talento com esculturas, era notável sua habilidade como artista. A madeira sem forma transformava-se em verdadeira obra de arte em suas mãos.
Gostavade esculpir ouvindo o único disco que possuía, havia ganhado do mágico de um circo que apareceu na cidade quando ainda era bem jovem.
O mágico ouvia Mozart enquanto esperava a hora de entrar em cena e Américo ficou hipnotizado com a Lacrimosa .
Vendo o encantamento que Mozart produziu no menino, o ilusionista deixou-lhe o disco e a pequena vitrola quando o circo partiu.
Aos poucos foi ficando conhecido por todos e suas esculturas faziam imenso sucesso com os turistas em dia de romaria.
E foi assim por longos anos, até que a fome e a seca lhe tiraram toda a família.
Há muito que não sentia vontade de viver, seu sonho de trabalhar na cidade grande já era coisa do passado.
Suas esculturas já não despertavam o interesse dos poucos turistas que apareciam na cidade em época de romaria.
Estava cansado de ver folhas secas, fontes e rios sem água , de ver as pessoas elevarem seus olhos para o céu imensamente azul , sem nuvens, rezando pedindo chuvas.
Era véspera de Natal , a terra árida , o gado esquelético arrancava o último resquício de vegetação do pasto .
A janela do casebre estava aberta quando a chuva começou naquele fim de tarde.
No início eram apenas uns pingos tímidos que rapidamente eram absorvidos pela terra sedenta, mas foi aumentando, acompanhada por raios que cortavam o céu impiedosamente.
Escureceu repentinamente e logo o homem acendeu uma lamparina que estava em cima de um armário rústico bem ao lado da mesa da cozinha.
Passaria mais uma noite de Natal sozinho, tomando uma sopa rala com pedaços de pão e finalizaria sua refeição com um bom naco de rapadura.
Sentiu-se mais alegre, pois quando a chuva cai enche os açudes ,a caatinga reverdece. as flores surgem e a vegetação rasteira cobre o chão.
Acordaria cedo para observar o capim verde depois da tempestade, ouviria o canto da passarada pela manhã.
A partir das cinco da tarde o céu ficou 'cavernoso', as nuvens escuras e densas pareciam verdadeiros monstros, trovoadas e relâmpagos tomaram conta do céu.
Lamentou não poder ouvir Mozart naquela noite por não haver energia em toda a cidade.
Jamais havia presenciado uma manifestação da natureza tão violenta e pela primeira vez , teve medo de ir lá fora para fechar o portão.
Numa fração de segundo, um raio derrubou uma árvore e abriu um buraco no chão.
O telhado da casa vizinha foi arrancado pelos ventos e atingiu em cheio uma vaca magricela que estava perto da cerca.
Começou a culpar em pensamento toda aquela gente que rezava sem parar pedindo chuva.
Parecia o fim do mundo!
Aterrorizado, Américo tentou fechar rapidamente a janela, mas o raio foi mais rápido e o atingiu em cheio.Foi atirado a alguns metros dedistância e caiu desfalecido.
Choveu a noite toda, e pela manhã somente o vira-lata da casa que havia se escondido debaixo da cama, sobreviveu àquela noite aterrorizante.
O pobre animal não teve a quem pedir ajuda, não sobrou viva alma na cidade.
Ao longe, como se ecoasse do céu , podia-se ouvir a Lacrimosa de Mozart.

Nana Pereira