quinta-feira, 31 de julho de 2014

Listas





Fazer listas é uma de minhas manias mais marcantes.
Parece, se me lembro bem, que começou na adolescência.
Eu fazia listas dos livros que gostaria de ler, listas de discos que queria comprar, lista de convidados para minha festa de aniversário, etc...
O interessante é que todo ano eu fazia a tal lista de convidados, mesmo que não fosse haver festa.
Faço lista para quase tudo: coisas que quero aprender, músicas que quero ouvir, DVDs de óperas que quero ter, côres de tintas que preciso comprar para pintar, coisas que preciso arrumar em casa, lista de amigos que precisam de orações,lista de novos enfeites para a árvore de Natal, cremes que quero comprar e até a famosa lista de compras!
Vocês vão pensar: Como é organizada!!!
Não me façam rir, faço a lista como uma forma de ser organizada, mas estou muito longe disso.
Aliás, sempre esqueço a lista de compras em casa, só lembro quando já estou dentro do mercado.
Eduquei minhas filhas fazendo listas de tudo, mas a mais esperada era a primeira lista do ano, logo após o ano novo.
Fazíamos cada uma a sua lista de coisas que queríamos para o próximo ano e deixávamos em local visível.
Valia tudo, coisas materiais e coisas da alma.
O legal é que comemorávamos, riscando o que íamos conseguindo .
Algumas coisas até hoje ainda são passadas para a próxima lista.
Não sou organizada, mas sou teimosa!
 

 Nana Pereira

As três palavrinhas





Quando minha filha caçula era pequena, eu costumava brincar com ela e dizer-lhe:
- Fale aquelas três palavrinhas para mim!
Ela ria e dizia:
- Eu, Avó e o gordo!
A avó era eu (avó de seus bichinhos de pelúcia), o Gordo era o apelido que ela deu para um leãozinho de pelúcia chamado Leonildo!
Toda vez era a mesma coisa!
Em julho, mandei as meninas para a casa de meus pais no Rio de Janeiro passarem as férias.
Minha filha mais nova que tinha 12 anos nessa época ,disse-me que não queria ir, não queria que eu ficasse sozinha, tinha receio de alguma coisa acontecer comigo em sua ausência.
Tranquilizei-a dizendo que estava bem e que nada me aconteceria.
Dois dias depois que elas haviam voltado das férias, fui almoçar em casa como sempre fazia e na hora da refeição de repente fiquei quieta.
Ela estranhou , olhou para mim e perguntou:
Mãe, você está passando bem?
Respondi que não, aí ela perguntou:
- Quer ir para o hospital?
Respondi quase sem forças que sim!
Saímos imediatamente e quando entramos no elevador, desmaiei!
Ela, desesperada repetia para mim:
- Mamãe, não morra, por favor!
Não morra porque eu preciso de você não! Não morra porque eu te amo!
Depois disso apaguei totalmente.
Um homem negro que fazia uma entrega no prédio, tomou-me em seus braços e colocou-me dentro de um carro com minha filha e levou-nos para o hospital.
Não vi nada disso acontecer, mas quando cheguei ao hospital, tinha 5 de pressão, estava morrendo!
Engraçado é que fiquei num estado de semi-consciência, dentro de mim, lutava para sobreviver e pensava em quem iria cuidar de minhas filhas.
Não podia morrer!
Não naquele momento!
Tentava orar, mas não conseguia lembrar de nenhuma oração.
Então repetia para mim mesma : Senhor meu Deus, cuide de mim!
O hospital localizou horas mais tarde minha filha mais velha que estava no trabalho ,e só quando ela chegou consegui ficar mais calma.
Passei cinco dias internada, tinha tido um choque anafilático, havia misturado muitos medicamentos.
Estava com uma gripe muito forte e havia ido ao médico. ele receitou vários remédios e após 2 dias eu ainda não havia melhorado.
Voltei ao médico e ele medicou-me novamente.
Naquela manhã eu havia piorado e passei na farmácia e tomei uma daquelas injeções "levanta defunto" para poder ir trabalhar.
Pouco antes do almoço, tomei um outro remédio para aliviar minha dor nas costas.
Este coquetel de remédios quase matou-me.
Hoje, olho para trás e fico imaginando o sofrimento de minhas filhas e agradeço por estar viva!
Vejo algumas pessoas passarem a vida inteira e não conseguirem verbalizar seus sentimentos.
Mas também vejo pessoas banalizando as TRÊS PALAVRINHAS , fazendo com que elas percam o seu real valor!
 

Nana Pereira