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sábado, 10 de janeiro de 2015

Mania de aquário







Houve um tempo  em que eu era fanática por peixinhos e aquários!
Era uma paixão desmedida e incompreendida por boa parte da família e dos amigos.
O primeiro aquário era bem grande, cheio de pedrinhas coloridas, grutas, enfeites, plantas aquáticas e... peixinhos coloridos.
Lembro que certa vez comprei um enfeite que era uma placa de proibido fumar para o aquário.  As pessoas observavam esta minha paixão com certo respeito, porque como dizem por aí, não se deve contrariar um maluco!
Comprei vários livros sobre aquarismo e toda semana comprava peixinhos novos e coloridos.
Fui aprendendo na prática que alguns peixes não podem habitar o mesmo espaço que outros.
Comprava lebistes, poisson rouge , paulistinhas, guppy, platy, molinésia, neon, tricogaster e espadas entre outros.
Gostava de dar nome a cada um deles , mas o meu predileto era o Arturo, um poisson rouge.
Conforme a população de peixes crescia, eu ia adquirindo novos pequenos aquários. Cheguei a ser proprietária de seis aquários.
À noite, gostava de sentar à frente dos aquários , ouvir o barulhinho das bombinhas de oxigênio,  o vai e vem dos peixes entrando e saindo das pequenas grutas, as perseguições dos peixes mais agressivos aos pequenos guppys e os saltos suicidas dos peixes espada.
Os aquários possuíam tampa, mas os peixes espada conseguiam pular  no carpete  e nessa hora meu coração vinha à boca.
Triste mesmo era quando o suicídio acontecia de madrugada enquanto dormíamos.  Pela manhã,  recolhia os pequenos um a um e jogava no vaso sanitário ao som da marcha fúnebre  de Chopin.
As crianças não curtiam muito serem donas de peixinhos, queriam mesmo era ter um cachorro.

Nana Pereira

quinta-feira, 31 de julho de 2014

Hoje é sábado





Abro os olhos lentamente
A luz do dia entra pela porta da varanda
Suspiro fundo, espreguiço-me
Humm, hoje é sábado,
Dia de ensaio com a orquestra
Levanto ainda sonolenta, tropeço na cadeira
vou direto à cozinha fazer o café
Preparo a cafeteira para fazer meu café,
coloco comida para minha cachorrinha Baby,
vou para o banho morno, com sabonete perfumado
Ai, preciso acordar!
Tomo meu café ainda enrolada na toalha,
Engraçado, desde ontem meus olhos estão com um brilho diferente!
Visto minha calça jeans, coloco uma blusinha,
Sento-me à beira da cama para colocar o tênis
Penteio meus cabelos , passo meu perfume,
Acaricio a Baby, pego meu violino e saio.
Gosto de observar as pessoas e as coisas na rua
Vejo várias pessoas dormindo na calçada,
Colchões, cobertores rasgados, um cão
Duas mulheres com roupa de ginástica passam com pressa
Um menino empurra um carrinho com compras
Um senhor de cabelos brancos lava a calçada
Uma mulher empurra a cadeira de rodas do filho,
Continuo a andar sem pressa, saí mais cedo de casa hoje
Uma viatura da polícia passa apressada
Paro em frente a uma loja de bichinhos de pelúcia
O relógio da igreja da Consolação soa nove vezes
Aperto o passo, não quero chegar atrasada ao ensaio
Passo em frente a um bar e ouço um psiu
Vejo meu amigo tomando seu chocolate,
entro e peço um café com leite
conversamos um pouco, rimos e saímos do bar
Afino o violino, passo breu nas cordas do arco
Espreguiço-me novamente,
Gosto de tocar Wagner
O ensaio hoje foi chato, muito blá blá blá
No caminho de volta para casa, entro em uma loja de aquários
Olho os peixinhos, decido reativar meu aquário
Compro peixinhos e coisas que faltam
Ai meu Deus, que trabalho que dá limpar o aquário
começo a empreitada sob o olhar de minha cachorrinha,
Lavo as pedrinhas verdes com um prazer imenso
Como é bonito ver um aquário limpinho,
Os peixinhos coloridos, as borbolhas na água límpida.
Faço uma caneca de cappuccino,sento-me na cadeira e fico perdida na caneca, como diz uma amiga.
Ponho a Baby no colo , passo a mão no seu corpinho pequeno
Acho tão gostoso olhar peixinhos !

Ah se eu fosse um peixinho, e soubesse nadar.........

  Nana Pereira

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Esses cães, pobres cães!



Antigamente os cães corriam alegres pelo quintal,tinham nomes singelos como Teco, Cacareco, Bolinha , Tica  e saiam às ruas quando recebíamos uma visita e  esquecíamos o portão aberto.
Hoje, eles vivem em apartamentos desproporcionais aos  seus tamanhos, tem nomes de artistas famosos, personagens de novelas da globo ou até daquela vizinha ou vizinho de quem não gostamos.
Saem para passear com suas roupinhas bizarras, alguns usam até óculos de sol e todos saem de casa para fazer suas necessidades nas ruas.
Tive vários cãezinhos na  infância, e era uma alegria ser recebida por eles quando voltava da escola , faziam festa e ficavam agradecidos quando ganhavam um osso suculento.
Agora as coisas mudaram, os cães são praticamente humanos, tem alergias e doenças como nós humanos, fazem ultrasom, são estressados, tomam florais de Bach e se bobear tocam até violino.
Alguns tem lugar cativo no sofá da sala , assistem novelas e se o dono vacilar ,tem até a posse do controle remoto da TV.
Parece que as pessoas tem cães para diminuir sua solidão e descontarr suas carências.
Pobres cães!
Vocês vão pensar  : essa aí não gosta de animais, muito menos de cachorros. Não é verdade, tenho uma cadelinha pinscher que atende pelo nome de Baby Xuxuzinho (Beibuca para os íntimos) e ela me recebe todos os dias toda alegre e saltitante quando chego em casa, senta em cima do meu pé quando estou escrevendo no computador ( neste momento ela está bem em cima do meu pé esquerdo) , mas é apenas um cãozinho , faz suas necessidades no jornal que fica na área de serviço e quando sai à rua é apenas para passear.

Sinto tanta saudade do tempo em que cães eram apenas cães!



Nana Pereira

domingo, 27 de setembro de 2009

Titila















Nasceu em uma família numerosa, além de seus pais, haviam mais dez irmãos.

Viviam numa chácara muito bonita. A casa era toda branquinha com janelas azuis, havia um jardim muito bonito , cheio de prímulas , arbustos de hibiscos de todas as cores e um pomar com todo tipo de fruta.

Titila foi um pintinho muito dengoso, chorão e mimado. Seus irmãos viviam lhe pregando peças e rindo de suas manias.

Quando cresceu, ficou muito bonita com suas belas penas brancas e passava boa parte do dia admirando seu reflexo no lago que havia perto do pomar.

Além de vaidosa, era uma sonhadora!

Sonhava com um poleiro limpo, entremeado de flores perfumadas, com uma tigela de porcelana fina, com um quarto só para ela, longe de seus irmãos barulhentos e mal educados.

Queria mais da vida, tinha desejos de ser alguém importante, de ficar famosa. Passava os dias cantando e exercitando suas pernas com saltitos de bailarina.

Queria ser atriz, fazer filmes românticos, usar chapéus elegantes, salto alto e um belo colar de pérolas adornando seu pescoço delicado.

A vida na chácara era monótona, sem glamour e seus irmãos uns caipiras sem ambição. Preocupava-se com o futuro, não gostaria de passar sua vida comendo insetos, sujando seus pezinhos delicados na lama e dormindo num poleiro velho junto com toda a família.

Gostava de entrar sorrateiramente na casa de janelas azuis, espiar as revistas de moda que ficavam espalhadas no belo sofá amarelo.

Havia um cômodo com um belo tapete cor de ouro e uma grande televisão., imaginava que algum dia poderia ser uma artista famosa e aparecer em um dos filmes onde a mocinha sempre usava belas roupas e casava-se com um belo jovem, rico e educado.

Passava horas suspirando!

Irritava-se com a falta de modos e o jeito simplório dos irmãos.

O tempo passou, todos cresceram. Seus irmãos agora já eram belos frangos e pareciam felizes. Sentia-se solitária e infeliz, até que um dia, entrou furtivamente na sala de televisão e ficou escondida sob uma poltrona.

Presenciou a cena mais horrível de toda sua vida!

Era véspera de Natal , a casa estava toda enfeitada de guirlandas, muitas luzes, música e pessoas bem vestidas.

Perto da meia-noite, chegou a hora da ceia e sobre a mesa coberta por uma toalha branca , haviam arranjos de flores, velas , frutas que jamais havia visto. Os pratos , de uma porcelana estrangeira , estavam ladeados por talheres reluzentes e copos de cristal completavam o cenário.

No centro da mesa um enorme peru, enfeitado com fios de ovos, aguardava o início do jantar.

Como pessoas tão elegantes e civilizadas teriam coragem de fatiar e comer uma ave que poderia ser perfeitamente um de seus parentes?

Ficou apavorada e desatou a correr pelo quintal, como se tivesse visto um fantasma.

Todos os seus sonhos haviam sido desfeitos. Ficou chorando e soluçando durante muito tempo perto do lago.

De repente, surgiu uma mulher com um vestido azul transparente, lindos cabelos dourados e um sorriso bondoso e disse:

  • "Às vezes não percebemos como somos felizes, não enxergamos todas as coisas boas que temos a nossa volta.

  • Cada um de nós tem seu valor e um papel importante a cumprir. Somos criaturas de Deus e especiais do jeito que Ele nos fez."

    Dizendo isso, tocou sua cabeça com uma varinha mágica e imediatamente apareceu um lindo colar de pérolas ao redor do seu pescoço.

  • Desde então, Titila entendeu que era feliz, tinha uma bela família , que galinha não pode ser atriz e gente não pode voar.


Nana Pereira


quarta-feira, 4 de março de 2009

Minha fuga das galinhas

















Estava vendo televisão esta semana quando me deparei com um filme sobre galinhas.
Uma coisa sobre fuga de galinhas, sei lá, peguei já começado.
Quem me conhece sabe que tenho pavor de galinhas vivas, o que não quer dizer que não as coma com muito gosto.
É trauma de infância, tínhamos galinhas e patos andando livremente pelo quintal e invariavelmente , um deles me perseguia.
O fato é que o filme apresentava as galinhas como seres tão fofinhos, com touquinhas, colares, tricotando enquanto chocavam os ovos. Fiquei enternecida com as imagens.
Senti-me como uma criminosa, matando singelos animais para saciar minha fome humana.
É sabido que desde que o mundo é mundo, os homens caçam para comer, portanto não fui eu quem começou com o abate de animais, mas as cenas do tal filme me abalaram profundamente.
Hoje fui almoçar num restaurante e pela primeira vez , ao olhar o cardápio comecei a imaginar os animais sendo abatidos para nos banquetearmos e fugi literalmente das galinhas.
Desolada, escolhi alimentos apenas vegetais, bolinhos de abobrinha, tomates, couve-flor empanada, arroz integral e feijão.
Sinceramente não consegui pegar nada que me lembrasse do filme.
Assim como sou uma carioca fajuta que não gosta de samba, carnaval e sol, também sou uma carnívora fajuta.
Gosto de peixes, frangos e carnes em geral, mas fico muitos dias sem comê-los por livre escolha.
Não sei se conseguiria ser totalmente vegetariana. Essa coisa de só comer folhinhas e frutas deixam-me até com fraqueza, por enquanto ficarei um bom tempo longe dos pratos carnívoros.
Penso que o sujeito que escreveu o roteiro do filme deva ser vegetariano e apaixonado por galinhas.
Já vislumbro um novo filme sobre peixinhos e porquinhos falantes e indefesos, fugindo dos homens malvados e gananciosos que querem comê-los.
Aí será o tiro de misericórdia em minha vida gastronômica!
Enquanto isso não acontece, que venham os tomates e as batatas,já estou pesquisando receitas à base de legumes e verduras para adaptar meu paladar aos novos tempos.

Nana Pereira

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

O Cão de Nádia










Nádia era uma pessoa muito talentosa. Pintava, bordava e teclava como ninguém.

Além disto, fazia brigadeiros de outro mundo, tortas de frango maravilhosas – mesmo quando desprovida da massa Arosa - e um chá Matte daqui ó*.



*Tomada 1: neste momento a atriz puxa a orelha e faz cara de marmota, piscando os olhos alternadamente, quase que como um sintoma de quem tem TOC.



Nádia tinha um sofazinho na sua ante-sala, que acomodava as visitas, e servia de playground e refúgio para sua cachorrinha Baby Conan (Baby C para os bem íntimos).

Baby C. era uma cachorrinha muito ativa; no linguajar carioca, uma verdadeira Cã. Comia de tudo: ração, frutas, bolachinhas, recheio de brinquedos de pano até bens de consumo durável, como mesas e, é claro, sofás.

Um dia Baby C. descobriu seus dons de arqueóloga, e achava que havia um grande tesouro dentro do sofá. Após escavar bem o móvel e deixar à mostra muita espuma e mola, Baby C. chegou à conclusão que era alarme falso, e que o dinheiro grosso estava na psiquiatria**.



**Tomada 2: neste momento Nádia diz, com voz motivacional, olhando com muito carinho para Baby C.: “lute, meu rapaz, lute!”



O sofá, já desfigurado, teve que ser removido do local e doado, entes que algum mendigo o visse e resolvesse morar ali.



E desde então Baby C., como sinal de solidariedade pela perda do sofá, tenta se punir pelo ato destruidor: sempre que chega alguma visita, ela faz uma procissão até o corredor e dá 3 voltas dentro do elevador repetindo o mantra (em pensamento canino): Goosfraba, goosfraba.


Ana Paula Barros


PS: Ana Paula Barros, exímia caçadora de joaninhas, é filha de Nana Pereira e é apaixonada por brigadeiros.

domingo, 2 de novembro de 2008

Pássaros cativos























Sei que não é politicamente correto, mas já tive pássaros em gaiolas!
Sim, mantive uma saíra ,três canários , um coleirinha , dois calafates e dois manons em cárcere privado.
Sinto até um pouco de vergonha em confessar meu delito, mas estou tentando redimir-me .
Acho que era uma forma de sentir-me mais próxima da natureza, já que moro em apartamento e rodeada de prédios.
Mas, nem sempre foi assim, na infância morávamos em casa com quintal, pomar e jardim.
As cercas eram vivas, as borboletas e os pássaros estavam sempre rondando o quintal.
Durante as tardes de verão, sentava-me à sombra de um pé de tangerina, deliciava-me com a fruta enquanto os pássaros faziam folia nas árvores.
Hibiscos e lantanas eram flores comuns para mim.
Mas, voltando aos pássaros, contarei a história de cada um deles e espero que seja absolvida , ou que no mínimo minha pena seja atenuada.
O primeiro pássaro que mantive em cativeiro foi uma saíra. Para quem não conhece, é um pássaro lindo, colorido, não canta e é muito arisco.Acho que devo dizer que é esperto também, pois na primeira oportunidade que teve, fugiu enquanto eu trocava a água do seu bebedouro. Nem preciso dizer que fiquei arrasada com sua fuga.
Tive um coleirinha que cantava que era uma beleza! Lembro-me que numa de nossas férias de dezembro, deixamo-lo na casa de um conhecido e quando voltamos o pássaro havia sumido. Até hoje não sabemos o paradeiro dele. Tenho a impressão de que foi vendido pelo conhecido em questão.
Algum tempo depois, acompanhando uma amiga a uma loja de aves, fiquei encantada por um casal de calafates. Os calafates são pássaros coloridos e ativos , não cantam, mas tem um piadinho bonitinho.
Resolvi comprá-los! O vendedor disse que só poderia vender um porque o outro era cego de um olho.
Fiquei consternada com a sorte do pobrezinho e disse ao homem:
_ Mas eu quero os dois!
Ele olhou para mim com ar incrédulo e disse:
_ Bem, nesse caso, você compra um e o outro (o ceguinho) vai de brinde.
Dei-lhes o nome de Stevie e Sting. Nem sei se eram dois machos ou um casal, mas , Resolvi que o que não enxergava de um olho deveria chamar-se Stevie.
Sting foi o primeiro a morrer e alguns meses depois Stevie também partiu!
A esta altura, já estava sem coragem de ter novo pássaro em casa.
Passei uns bons anos sem querer ter pássaros !
Até que um dia.....
O primeiro canário que tive, era um tanto quanto esquisito : tinha uns ataques e caía do poleiro como se tivesse tido um ataque fulminante e partisse desta para melhor.Como eu tenho pavor de pegar em bicho morto, esperava minha empregada chegar para dar início ao funeral e com espanto via o "falecido" novamente no poleiro.Acho que ele teve uns cinco ataques desses e um dia morreu de verdade.
Passei anos sem querer saber de pássaros novamente, até que um dia ganhei de presente de uma amiga um canário amarelo.
Este foi o primeiro pássaro que dei nome. Batizei-o de Wófel.
ele era novinho e conforme orientação da minha amiga, dei-lhe toda atenção e cuidados.
Comprei uma gaiola gigante, vários bebedouros, banheira para banhos diários, alpiste com vitaminas, jiló, folhas de almeirão e sementes de pimentão.
O tempo passou e o dito cujo não cantava, só piava. Até pensei que fosse mudo!
Comprei um desses pássaros com pilha e pendurei perto da gaiola. Quem sabe ele não precisava de incentivo?
Numa das visitas de meu pai, contei-lhe meu infortúnio e ele (velho conhecedor de pássaros) disse-me que meu canário não cantaria nunca, era uma fêmea.
Consolei-me com a situação, mas mantive seu nome de Wófel. Há um ano que o chamávamos assim , não tive coragem de mudar seu nome. E se ele (a) tivesse uma crise de identidade?
Um dia, numa manhã de inverno, perto do dia dos namorados, Wófel amanheceu morto.
Fiquei tão triste, que no dia dos namorados, minha filha deu-me outro canário.
Desta vez, ela certificou-se de que era macho e que cantaria!
Wally era verde! (acho que tenho uma queda por nomes que comecem com W)
Nunca havia visto um canário verde, sempre achei que canários fossem amarelos, mas Wally era verde.
Um belo dia, meu pássaro amanheceu cantando. Fui despertada pelo seu canto!
Que coisa mais linda!
Comprei-lhe nova gaiola , daquelas com tripé. Parecia um castelo, era toda branca. Wally ganhou um lugar de destaque e cantava boa parte do dia.
Até que começou a apresentar um comportamento estranho: passou a cantar de madrugada. Parecia um louco, acordando toda a família e quiça os vizinhos.
Pensei que talvez fosse falta de uma namorada. Nunca saberei, pois um belo dia Wally foi para o céu dos passarinhos também.
Dois anos depois da morte do finado Wally, estava em uma loja comprando peixinhos para o aquário, quando vi um casalzinho de manons. Não cantavam, mas eram tão bonitinhos e simpáticos que não resisti e os trouxe comigo.
Batizei-os de Tito e Meiga!
Comprei até um balancinho azul para alegrar suas vidas. Os dois disputavam o balanço o dia inteiro, cheguei a pensar em comprar mais um balancinho para evitar discórdia entre o casal.
O chão da área de serviço vivia cheio de alpiste e tudo parecia que estava indo muito bem até que uma manhã Tito amanheceu morto, assim sem mais nem menos.Dois dias depois a Meiga foi ao encontro do seu par.
Acho que morreu de saudade, como esses casais de velhinhos que quando um falece o outro não aguenta de tanta nostalgia e vai logo em seguida.
Fui tomada de uma tristeza medonha, olhava a gaiola vazia e não acreditava !
Resolvi então, pintar a gaiola , enfeitá-la com flores e pássaros artificiais e colocar para enfeitar o jardim.

Nana Pereira

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Canário verde!























Sempre pensei que canários fossem sempre amarelos!
Wally era verde!
Wally chegou em casa no dia dos namorados,
Logo ganhou uma casa espaçosa e ventilada.
As manhãs eram anunciadas pelo seu canto.
Devia sentir falta de uma namorada.
Um dia enlouqueceu e passou a cantar à noite também.
Acho que morreu de solidão!
By Nana Pereira

Amor à primeira vista!!

















Tudo começou em fevereiro de 2006
Fomos para o Rio de Janeiro de carro no feriado de carnaval!
Meus pais moram em um pequeno sítio perto da represa do rio Guandu.
É um lugar maravilhoso, com muito verde, flores, um pomar e vários animais soltos pelo quintal.
A viagem foi tranquila, o que eu não sabia era que minha vida mudaria para sempre a partir daí.
Assim que chegamos no sítio, meus olhos avistaram a coisa marrom mais linda que já haviam visto:
- Uma coisinha muito delicada, andando displicentemente pelo quintal!
Um filhote de pinscher que mais parecia um brinquedinho de pelúcia!
Apaixonei-me imediatamente e acho que a recíproca também foi verdadeira!
Ela tinha 2 meses e tinham lhe batizado como Bia Falcão ( personagem de uma novela, eu acho!).
Era a queridinha do meu pai!
Não nos largamos o feriado inteiro.
No dia de vir embora,criei coragem e disse ao meu pai:
- Pai, dá essa coisinha linda para mim?
Sei que deve ter sido difícil para ele , mas com todo amor , papai me deu a cachorrinha mais cara de pau e saltitante que conheço!
Batizei-lhe de Baby Xuxuzinho e assim que chegamos em casa, dei-lhe um porquinho de pelúcia cor-de-rosa para brincar!
Aproveitei e batizei também o porquinho com o nome de Beethoven, que hoje não é mais do que uma pelanca de pelúcia sem recheio!
Comprei-lhe uma caminha confortável, brinquedinhos, ração apropriada a sua idade e tamanho e xampu para banho.
Ainda hoje, ela continua saltitante e pequena, faz o maior sucesso quando saimos à rua.
É impossível não se encantarem com minha pequena Babynha!
Apesar de ter comido todas as minhas sandálias e ter destruído os dois sofás da sala, não consigo mais viver sem ela!
Coisas do amor!!

By Nana Pereira

Alectorofobia!
































Alectorofobia?
Que raio é isso?
Descobri no ano passado, que sou uma Alectorofóbica!
Tenho pavor de galinhas!
A coisa é séria, eu saio do ar!!
Quando eu era pequena, havia um Galo grandão que ficava na esquina de prontidão!
Minha maior tortura era quando minha mãe pedia para que eu fosse à padaria...
O meliante assim que me via , começava a me cercar e eu esperava um descuido dele e saía correndo!
Ele corria atrás de mim como se fosse um cachorro!
Eu chegava na padaria arfando e apavorada!
Acho que nunca falei para minha mãe o porquê de detestar ir à padaria.
Uma vez, conversando com o marido de uma amiga, contei sobre esse meu medo.
Ele muito sério me disse: Talvez em outra vida você tenha sido uma minhoca e uma galinha te comeu!!
Então pensei: "Como será a vida de uma minhoca?!"
By Nana Pereira

A trágica morte de Beethoven
















Beethoven era um lindo porquinho de pelúcia cor-de-rosa!
Vivia calmo e tranquilo em uma prateleira empoeirada.
Até que um dia, por volta de janeiro de 2005, um novo membro da família chegou .
Era uma pinscher marronzinha de nome Baby Xuxuzinho, muito pequenininha e frágil.
Como Babynha tinha apenas 2 meses e tinha deixado mãe e irmãos no Rio de Janeiro, Beethoven foi retirado da prateleira e virou seu amiguinho predileto e único.
Beethoven passou a frequentar todos os lugares da casa , carregado por sua amiguinha Baby.
Ele que só tomava banho a cada seis meses, passou a tomar banho toda semana, tal o estado deplorável que passou a ficar.
Era encontrado nos lugares mais inusitados , como por exemplo dentro da vasilha de ração deliciosa da Babynha.
Após um ano de aventuras , mordidas e "amassos", Beethoven perdeu todo o recheio e transformou-se em uma "pelanca " de pelúcia encardida.
Há um mês atrás, o pobre porquinho foi dividido em cabeça e tronco sem membros.
E ao som do segundo movimento da Sétima de Ludwig van Beethoven , decretei sua morte e com toda a pompa e circunstância foi "enterrado" na lata de lixo.
Dizem que sua alma foi encontrar-se com a alma do famoso compositor.
Vai se saber!!!!
By Nana Pereira

O pássaro


























Adoro pássaros, acho que são tão delicados e alegres!
Já tive dois canários, Wally e Wófel, os dois já morreram.
Gostava de acordar pela manhã com o canto deles.
Nesta última semana, algum vizinho arrumou um pássaro, que pelo piado deve ser grande.
O distinto não canta, pia!
E o que é pior, começa às 5h da manhã e vai até às 7h.
Deveria haver uma lei de silêncio para pássaros também, pelo menos para aqueles que não cantam, só piam.
É bem verdade que gosto dessa sensação de estar num sítio, rodeada de pássaros, borboletas e flores, mas nos primeiros dias tive vontade de amordaçar o infeliz aspirante à cantor.
Estou até pensando em libertá-lo , abrir a porta da gaiola e deixá-lo partir para bem longe!!
Brincadeiras à parte, sou fã dessas criaturas que fazem nosso dia amanhecer mais bonito e alegre!
Por causa dele, estou acordando mais cedo e aproveitando mais o meu dia!
By Nana Pereira

Um hobbie


















Arturo (óleo sobre tela) Nana Pereira


Sinto-me uma pessoa privilegiada por ter um dos hobbies mais fascinantes e inteligentes do mundo.
No aquarismo você acaba aprendendo um pouco de física, química, biologia, ecologia e também geologia e geografia, e tudo isso com muita simplicidade.
Além disso, peixes são os melhores animais de estimação para quem tem pouco tempo disponível e tem pouco espaço em casa, pois, peixes não fazem xixi no tapete, não soltam pelos, não têm cheiro, não precisam ir ao veterinário periodicamente, não deprimem se você viaja por muito tempo, não roem sofá, chinelos nem derrubam as roupas do varal.
Ter peixes em casa é uma terapia. Ou melhor, ajuda na terapia nossa de cada dia.
Basta parar e observar os movimentos tranqüilos dos peixes para ser preenchida por uma sensação gostosa de tranqüilidade.
Particularmente, adoro os Kinguios. Eles são peixes muito dóceis, vivem muito bem entre eles.
Não concordo com uma antiga crença de que peixe em aquário dá azar, os aquários, com água sempre em movimento e com peixes, estão associados à prosperidade e riqueza.
Gosto de dar nomes aos peixinhos.Se pudesse faria um crachá para cada um, assim ficaria mais fácil identificá-los.
Ah se eu fosse um peixinho e soubesse nadar,
Viveria num aquário, feliz a sonhar.

By Nana Pereira