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quinta-feira, 31 de julho de 2014

Piquenique





Nada se compara a um piquenique em família!
Penso que seja preciso criatividade e uma certa dose de bobagens alegres para alimentar nossa alma.
Lembro-me com muita saudade do tempo em que fazíamos piquenique no carpete branco da sala.
Acho que um piquenique tem que ser saboreado para tornar-se inesquecível.
Às vezes nem precisa ser num dia de sol, basta forrarmos uma toalha no carpete, preparar alguns sanduíches, um bolo de chocolate, algumas frutas e um livro para ler para as crianças.
Nos domingos, feriados ou naqueles dias em que as crianças não têm nada para fazer, um piquenique sempre é um bom programa.
Soltava minha imaginação, estendia a tradicional toalha xadrez no chão e fazia com que um dia de chuva se transformasse em um dia especial.
Enquanto as crianças comiam as guloseimas , eu lia uma história, ou contava algum episódio interessante sobre nossa família.
Durante muito tempo, planejei um piquenique de verdade num lugar bonito, num dia ensolarado.
Cheguei a comprar uma cesta de piquenique , mas nunca consegui colocar em prática.
As crianças cresceram e o piquenique foi deixado para um futuro que nunca chegou.
Gosto de lembrar do sorriso das crianças, dos olhos brilhantes, da alegria que invadia nossa casa nos dias em que fazíamos piquenique no carpete da sala.
Não há dinheiro que pague essas doces recordações!

  Nana Pereir
a

O dia em que a vaca foi para o brejo




Não me lembro da data, mas já deve fazer uns 5 anos mais ou menos.
Naquele dia resolvi colocar salto alto para ir trabalhar!
Acho realmente que o salto alto nos deixa elegantes, mas também acho muito cansativo e um tormento desnecessário para mim.
Tenho 1,70 e não preciso de salto para parecer mais alta do que sou, mas reconheço que fico mais elegante com ele.
Escolhi o "marvado" como nossas avós escolhiam feijão no passado, com muito cuidado, sem pressa, como se nada mais houvesse no mundo para fazer.
Tudo estava perfeito, o sapato não machucou meu pé, não fez bolhas na sola.
Saí do trabalho exultante, afinal teria que andar meia hora para chegar em casa.
Após andar uns 50 m , minha sorte mudou: o salto do pé direito simplesmente caiu.
Assim, sem nenhum aviso , muito menos respeito!
A situação era calamitosa, como iria conseguir andar com uma diferença de 5cm de um pé para o outro!
Olhei para o sinal de pedestre que estava verde , mantive a pose e atravessei a rua na ponta do pé!!
Estava de calça comprida e se não olhassem para os pés, não perceberiam um pé fantasma!
Sorri para mim mesma e pensei em como era esperta!
Ai meu pai!
Muito esperta mesmo!!
Após meia hora de caminhada na ponta do pé, minha perna direita estava imprestável, parecia que ia cair, assim como o salto do sapato caiu!
Passei 2 dias com uma dor horrorosa na perna, fiz compressas, passei creme, gelol e nada fazia efeito.
Após este episódio, decidi não ser elegante nunca mais.
Agora , se tiver que caminhar mais de 2m, vou de tênis e levo o sapato "elegante" na bolsa.
Algum dia farei uma pesquisa com milhares de piscianas para saber como conseguem usar salto alto e andar ao mesmo tempo.
 

Nana Pereira

A história de Lucrécia





Contarei a história de uma mulher triste, solitária e estranha a quem chamarei de Lucrécia por não saber o nome da Madrasta da Branca de Neve!
Lucrécia é mais nova do que eu, não casou, não teve filhos ,é massoterapeuta.
Uma mulher grande, de ossatura larga, com mãos enormes e pesadas ,que mais parecem duas raquetes.
Todas as vezes que ligo na casa dela e ela não está, entra uma gravação na secretária eletrônica que diz mais ou menos assim:
- "Eu vivo feliz a cantar, não tenho problemas , alegre é o meu caminhar......"
A gravação tem uma entonação de uma pessoa triste e infeliz, quando chega na parte do "não tenho problemas", tenho a impressão que ela vai chorar, fico até deprimida.
Uma vez sugeri que ela arrumasse um bichinho de estimação, já que ela reclamava que era muito triste chegar em casa e não ter ninguém lhe esperando.
Ela disse que ia pensar!
Um tempo depois, dei-lhe de presente um pequeno aquário com um peixinho Beta.
Ela ficou feliz , batizou o peixe , como eu faço com os meus peixinhos.
Um dia ,ela ligou-me aos prantos e por fim contou-me a tragédia: o peixe havia morrido!
Consolei-a e disse que é assim mesmo, eles morrem.
Ela deve ter ficado chocada quando eu disse que quando meus peixes morrem, canto a marcha fúnebre , jogo-os no vaso sanitário e dou a descarga!
Depois disso ela arrumou uma canária para lhe fazer companhia.
No final do ano passado, perto do Natal, ela me procurou e fomos almoçar juntas.
Estávamos no final do almoço, em um restaurante, quando o assunto mudou, sei lá porque, para pássaros.
Comentei que não tenho coragem de cortar as unhas do meu canário ( aliás, já morreu ) e que é minha filha quem as corta.
Foi então que ela resolveu me contar que uma vez foi cortar as unhas de um pássaro e ele lhe deu uma bicada.........., pegou minha mão minúscula e mostrou como foi a bicada: pegou a pele da minha mão e torceu com toda a força!
Senti uma dor absurda, meus olhos encheram-se de lágrimas, o local ficou roxo imediatamente.
Ela ainda brigou comigo por "estar fazendo cena" por causa de um beliscãozinho de nada!
Depois desse dia nunca mais a vi!
Lucrécia desapareceu!
 

Nana Pereira

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Na cozinha com Nadiona!

















É o que sempre digo, cozinha é uma coisa traiçoeira!
A gente entra cheia de boas intenções e sai chamuscada e com a cara no chão.
Há dias andava com vontade de fazer um antepasto de berinjela, queria usar a pimenta que colhi no meu jardim.
Pois bem, comprei a berinjela, colhi as pimentas , usei o melhor azeite da casa ( minha filha vai me matar) e entrei na cozinha toda prosa .

Abri o caderno de receitas:

Berinjela ao alho e pimenta

600g de berinjela
4 colheres de sopa de azeite de oliva
2 colheres de sopa de vinagre de vinho tinto
1 pimenta dedo de moça
4 dentes de alho cortados
1 colher de chá de orégano
sal a gosto

Lave bem as berinjelas e corte-as em cubos de 2cm, salgue e coloque em uma peneira para escorrer o excesso de líquido.
Deixe descansar por 30min.
Escorra e passe em água corrente.
Coloque sobre um pano e aperte suavemente para retirar a umidade.
Unte uma assadeira com azeite de oliva e acomode as berinjelas, leve ao forno em temperatura média por 40minutos.
Retire do forno e coloque em uma tigela.
Fatie a pimenta bem fininho. Em uma frigideira aqueça o azeite , adicione o alho e a pimenta . Refogue e adicione o vinagre.
Retire do fogo e despeje sobre as berinjelas assadas .
Misture bem e salpique com orégano e um pouco de sal.
Leve à geladeira e sirva como antepasto.


Como a receita mandava deixar 40min no forno, então fui molhar o jardim enquanto esperava o tempo passar.
Qual não foi minha surpresa quando abri o forno ( estreia do fogão novo que mamys me deu) e avistei cubinhos de carvão no pirex.
Fiquei passada!
Recolhi os pedaços de carvão e atirei-os ao lixo, o coração apertado, a boca salivando.
É! Não se pode ter tudo mesmo.
Sempre digo que eu tinha que ter alguns defeitos, mas queimar comida tinha que ser um deles?

Nana Pereira

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Só pra contrariar!

























Em época de gripe suína não dá para resistir, e de vez em quando, é deixar aflorar nosso lado espírito de porco!

A história se passa num dos Self Services em que almoço.

Normalmente saio para comer quando minha barriga já está aos roncos , pedindo socorro e chego ao local esfomeada.
Esta semana , tomei banho e para não perder tempo , nem sequei os cabelos ( agora com escova progressiva só na franja rebelde e indomável).

Entrei na fila para pegar a comida e bem atrás de mim estava uma senhora de uns 65 ou 68 anos mais ou menos.
A fila não andava e a distinta senhora começou a puxar conversa comigo:
- Não sei porque esse pessoal demora tanto para pegar a comida.

Calada fiquei!

Estava inconformada porque uma das mocréias que estava na minha frente pegou todas as mangas da salada de fruta.

Revoltada a já não tão distinta senhora disparou:
- Você não acha que esse povo demora demais para pegar a comida?

Abri a boca e fechei novamente, pensei um pouco e , neste momento o tal espírito de porco baixou em mim!

- Eles estão escolhendo o que vão pegar, minha senhora.

Ao que ela respondeu:

- Mas eu quando entro na fila já sei o que vou pegar.

Respondi com cara de pessoa meiga e tolerante:

- Eles olham e pensam se querem comer aquilo, né?

A pobre velhinha incompreendida calou-se e botou o rabo entre as pernas.

Por dentro, fiquei pensando em como tem gente lerda nesse mundo. Tem gente que aproveita para bater papo na fila, falar no celular e não se importa se tem alguém esfomeado esperando a vez.

O fato é que naquele dia eu tinha feito um lanchinho às 11h e não estava desesperada de fome , senão tinha endossado a reclamação e dado uma cotovelada nas duas mocréias que estavam na minha frente, agindo como se não houvesse amanhã.

Nana Pereira

sábado, 28 de março de 2009





















Mais um ano que se foi e normalmente a maioria das pessoas chega à conclusão que precisa perder uns quilinhos.
Existem dietas de todos os tipos, para todos os gostos!
Acho este assunto tão enfadonho!
Acredito que cada um de nós saiba exatamente o que está fazendo de errado.
Eu sei, por exemplo, que não deveria ter comido 3 pedaços de torta de limão todos os dias como fiz no ano passado.
E nas últimas semanas do ano, emagreci quase 2kg só por que tomei verdadeiro pavor da torta de limão.
As roupas ainda não estão entrando perfeitamente, mas já vi que minha aversão à torta começou a surtir efeito!
Nada de culpar o estresse, a depressão, a solidão, os filhos, muito menos os vizinhos que sabem cozinhar e deixam o aroma delicioso de suas comidas penetrarem em nossos lares.
Os verdadeiros vilões da história são os alimentos ditos lights ou diets que são horríveis .
Alguém já provou chocolate diet? E geléias diets?
São um atentado à vida!
Se fossem gostosos não haveria problema em trocar os alimentos calóricos por eles.
Quanta injustiça nesste mundo gastronômico!
Por que tortas, bolos e pães engordam?
Seria o mal do século?
Ontem uma amiga convidou-me para um lanche em sua casa!
Ela sabe que adoro o pudim de leite que ela faz no forno e o tal pudim seria o artista principal!
O problema é que ela aderiu à moda diet e usou leite desnatado e leite condensado desnatado.
Pronto! Todo encanto do pudim foi para o beleléu!
Tenho que confessar que nem repeti!
Todo mundo querendo emagrecer a qualquer preço , passando por dietas mirabolantes,comidas insossas drogas que alteram a saúde emocional.
Arre! Quero isso para mim não!
Imaginem uma vida sem café com chantilly!
Tirem-me o brócolis, a alface americana, a ricota, mas não me tirem as tortas com cobertura de
marshmallow!

Nana Pereira

Desabafo de uma mulher


























Hoje recebi uma mensagem com o título "Desabafo da mulher moderna", isso me fez pensar sobre um passado que não vivi, tenho apenas uma vaga idéia do que deva ter sido a vida das mulheres no tempo de nossas avós.

A tal mulher moderna diz : Se tivesse filhos, gastaria a manhã brincando com eles, se tivesse cachorro, passeando pelas redondezas…Aquário? Olhando os peixinhos nadarem…Se eu tivesse tempo… gostaria de fazer alongamento… Brigadeiro…
Gostaria de saber quem foi a mentecapta, a infeliz matriz das feministas que teve a estúpida idéia de reivindicar direitos de mulher… queria saber.

Bem, tive a nítida impressão de que a autora do desabafo é uma mulher muito triste e infeliz, pois em pleno século XXI faço brigadeiros, bolo de chocolate, bordo as toalhas de banho,faço os arranjos de mesa para o Natal ,toco violino em uma orquetra, leio para minhas filhas , passeio com minha cachorrinha e nem sou feminista.
Aliás, não sou feminista nem machista, sou MULHER.
Não acho que estava tudo bem no tempo de nossas avós!
Devia ser muito triste não podermos aprender a ler, não termos direito ao voto, de não podermos sequer escolher nossos futuros maridos.
Sem falar que muitas mulheres nem chamavam seus maridos pelo primeiro nome, deviam-lhes obediência e submissão e dependiam deles para comer.vestir e pensar.
O amor era feito sob as cobertas e sentir prazer era para as mulheres de vida fácil , como eram chamadas.
Pouco poético, não?.
Ainda hoje, podemos trocar receitas, ler ótimos livros de nossas próprias bibliotecas , bordar o vestido que usaremos na noite de autógrafos de nosso próprio livro, semear crisântemos e dálias no jardim de nossa casa, colher tomates de nossa pequena horta .

Aí vem uma fulaninha qualquer e diz que felizes eram nossas avós que gostavam de usar espartilhos que as deixavam quase sem respirar e que nosso espaço deveria resumir-se entre as quatro paredes devidamente pagas pelo marido provedor que generosamente nos deixava decorá-las.
Hoje podemos escolher se queremos casar ou ficarmos solteiras, podemos usar livremente nossos neurônios , respirar e decidir que rumo queremos dar as nossas vidas.
Antigamente os casamentos duravam para sempre e a infelicidade e a insatisfação feminina também.

A fulaninha diz que "Não agüenta mais ser obrigada ao ritual diário de fazer escova, maquiar, passar hidratantes, escolher que roupa vestir, e que sapatos combinar, que acessórios usar. tão cansada de ter que disfarçar seu humor , que sair sempre correndo, ficar engarrafada, correr risco de ser assaltada, de morrer atropelada, passar o dia ereta na frente do computador, com o telefone no ouvido, resolvendo problemas que nem são dela!"

Ora bolas! Não use os hidratantes, não faça escova progressiva , não use maquilagem , fique mau humorada, solte a franga , vá fazer uma terapia cognitiva!!

Mas viva plenamente!

De minha parte, quero alguém que chegue do trabalho, sente no nosso sofá, coloque os pés pra cima e diga “meu bem, que bom que já estamos em casa”.
Descobri que nasci para ser feliz e se tiver um homem ao meu lado, que ele seja meu companheiro, não dono da minha vida!


Nana Pereira

sábado, 21 de fevereiro de 2009

Missão cumprida
















Hoje, em pleno sábado de carnaval,fui intimada pela minha filha a dar cabo de um monte de correspondência que eu meigamente deixava em cima de uma cadeira na sala de estar ( detalhe: minha sala não tem sofás,minha cachorrinha Babynha comeu os dois que haviam na casa).
Confesso que tenho preguiça de abrir correspondências que não sejam pessoais.
Pensando bem, ninguém mais envia cartas pelo correio! Que pena!
As únicas coisas escritas manualmente que recebo são os bilhetinhos de amor e reclamações da minha filha e os cartões que vem junto com as flores que vez ou outra ganho.
Pois bem!
Munida do meu super óculos meigo, não tive outra escolha!
GENTEEE!
Tinha correspondência de 2006 e 2007!
Encontrei também uma correspondência do Banco com um cartão para ser usado junto com o cartão de débito, quando fosse sacar dinheiro na máquina.
Detalhe: Eu cheguei a ligar para o Banco esculhambando por não ter o tal cartão, aí eles me mandaram outro.

Resumão:

Agora a cadeira ficou vazia e já dá para ser interrogada sentada nela, com direito à luz na cara e goteira na cabeça!
Sou culpada, confesso!
Que venha a sentença!

Nana Pereira

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Meus pés!




















Só fui descobrir que meus pés eram pequenos quando ainda era casada com meu primeiro marido!
O casamento estava um horror e sugeri fazermos uns encontros de casal na igreja!
Durante o primeiro e único encontro , havia uma brincadeira em que as mulheres tiravam os sapatos e os maridos teriam que descobrir suas mulheres pelos pés!
Quando vi os pés das outras, senti-me desconfortável,
Senti-me como a Amélia da história A Pata da Gazela de José de Alencar!
Ele foi o primeiro e único a apontar os pés de sua mulher.
Não resta dúvida de que é bem bonitinho e delicado, já que meço 1,70 e calço sapatos de número 35, todavia , esta belezinha me faz levar tombos bem embaraçosos nas rua, em lojas, na orquestra!
Mas, não estou reclamando!
AH! O casamento foi para o brejo, mas os pés continuam aqui!
Eles são uma de minhas marcas registradas!!
By Nana Pereira

O Bom dia de Deus!
















Hoje tive uma manhã magnífica!
Acordei às 7h ,( como todos os sábados) para ir ao ensaio da orquestra!
Quase sempre vou de jeans e tênis ,( um tênis velho de guerra)já que tenho que andar por meia hora "arrastando o violino"!
Quando desci, na porta do prédio havia uma senhora bonitinha, de saia meio esverdeada, uma blusinha branca comportada e uma corrente comprida com um crucifixo!
Ela me deu bom dia e perguntou se era um violino o que eu carregava. Respondi que sim!
Ela perguntou logo em seguida se eu era católica!
Respondi que não, que sou protestante!
Conversamos mais um pouco e então é que ela me disse que era freira da Santa Casa de Misericórdia e que chamava-se irmão Cristiane.
Nos despedimos com beijos!
Andei mais uns 200m e um rapaz judeu usando "kipá" me deu um caloroso bom dia!
Respondi sorrindo seu bom dia com um "shalom"!!
Adoro as manhãs de sábado!
Mais uns 100m e um rapaz olhou para mim, deu bom dia e já começou a falar de sua paixão por música e que sua frustração era não saber tocar violino!
O rapaz era gay!
Nos despedimos e aí fiquei a pensar em como Deus nos dá bom dia todos os dias, através das pessoas!
Não importa a religião, a cor, a opção sexual, todos nós somos seus filhos e convivemos ou deveríamos conviver com amor e alegria!
São nesses momentos que sinto a presença Dele em minha vida:
Nas pequenas demonstrações de amor de nossos semelhantes!
By Nana Pereira

Serial killer


























Parece brincadeira, mas só este ano já comprei uns OITO mouses!
Está certo que não entendo muito de computadores, mas oito mouses é um número bastante significativo.
Sempre tenho que voltar à loja para trocar o meliante. Uma hora o botão da rolagem de tela não funciona, outra hora é o tipo de conexão que comprei errado.
O pior de tudo é que eles não funcionam mais do que 2 meses.
Estou sentindo-me uma Serial killer.
hoje quis dar uma de esperta e comprei um mouse preto, quem sabe o pretinho básico não me traria mais sorte?
Ledo engano, o meliante sequer deu sinal de vida!
Um amigo meu, disse-me que meu PC é à lenha, eu digo que é do tempo de Beethoven.
Coitado do Beethoven, ele teria enlouquecido e se jogado com piano e tudo pela janela, se tivesse o mesmo problema que eu.
Como não sou Beethoven e não quero estressar-me, amanhã voltarei à loja e trocarei por um mouse gelo.
Já sei que o homem da loja vai me olhar com um risinho maroto, mas fazer o que, né?
BY Nana Pereira

Dormindo com o inimigo





















Já sei o que vão pensar!
Sei que não é chique, elegante, nem sexy, mas não sei dormir sem meias.
Pronto, falei!
Meus pés congelam, não consigo dormir se não estiver usando..............meias!
Já ouvi dizer que é coisa de piscianos, mas tenho minhas dúvidas!
Fico pensando em como alguém pode conseguir dormir sem meias nesse frio que anda fazendo!
Acho bem pior dormir de pijama de flanela!
Acho que só tive um pijama em toda minha vida, era preto, de rendas, transparente.
E eu só conseguia usar a parte de cima.
Gosto de dormir de camisolinha, babydoll e .............................meias!
Uso aquelas meias soquetes branquinhas, algumas têm um friso colorido, .
Se uso camisola rosa, o friso é rosa, se uso camisola azul, o friso é azul, e por aí vai!
O duro é quando a camisola é preta, fica meio estranho usar meias brancas, mas recuso-me a usar meias pretas, acho pouco femininas.
Por isso deixo as camisolas pretas para usar no verão!
Tive um namorado que me obrigava a tirar as meias .
Não tenho nada contra dormir sem roupas, mas sem meias!!
É demais para mim!
Dizem que Marilyn Monroe dormia vestida apenas com algumas gotas de Chanel nº 5.
Eu durmo com umas gotas de Dolce&Gabanna e ....................meias.
Minha filha acha breguíssimo usar meias, principalmente com havaianas! HAHAHAAHA
Agora estou na fase das pantufas.
Vou comprar uma de cada cor!
A primeira é azul com borboletas! Tão meiga!
A próxima será branquinha com corações vermelhos!
A verdade é que só quem é pisciano sabe o valor de um pé!
Pés são um tormento, qualquer coisa machuca, faz bolhas.
Agora, vou passar um creminho nos pés e colocar minha meia!
Para poder sonhar é preciso dormir bem!
By Nana Pereira

Existe uma Dalila dentro de mim!





















É engraçado como temos a mania tola de descrever como deve ser nosso par perfeito, pelo menos na parte física!
Eu, por exemplo sempre descrevia o dito cujo como:
Alto, moreno claro, magro, com fartos cabelos macios, com pouquíssimos pêlos no corpo.
Pois bem, isto tudo é uma grande bobagem, já que quando nos apaixonamos perdemos o juízo completamente.
Tive um namorado, a quem chamarei de Sansão para preservar sua identidade.
Sansão era nanico, tinha a minha altura, era meio gordinho, tinha pêlos no peito, nos braços , nas costas e por todo o corpo, menos na cabeça, quase careca, digamos que era calvo.
Tenho que confessar que no início fiquei decepcionada ao ver tanto pêlo, mas venci o preconceito .
Além de tudo , tinha um sotaque meio caipira.
Em sua casa haviam dois cachorros que não eram seus: um poodle encardido e um boxer com cara de bobão.
Seu quarto parecia o polo Sul, era congelante, sofri muito ,tremendo de frio.
Mas, aqueles pêlos nas costas era o que me incomodava mais.
Cheguei a sonhar que era Dalila e enquanto Sansão dormia espalhava cêra de mel em suas costas e com um sadismo quase angelical, depilava-o todo!
O namoro terminou, é claro, mas esta vontade de depilar o Sansão ainda me persegue até hoje.
By Nana Pereira

Tatuagem!













Eu não gosto de gente que tem um monte de tatuagens.
Fica parecendo gibi, revista em quadrinhos!
Todavia, há uns dez anos que eu tinha vontade de fazer uma tatuagem.
Uma vez vi em uma propaganda uma mulher que tinha um anjinho tatuado no bumbum e achei tão meigo!
Sabem, há algum tempo que estou presenteando-me com pequenas coisas que sempre quis fazer ou ter e fui deixando passar.
Ano passado, resolvi realizar esse desejo.
Tinha saído para almoçar , estava voltando para casa e passei em frente ao local que faz tatuagens.
Entrei e fui atendida por um moreno bonitão com jeito de histórias em quadrinhos: era o tatuador!
Expliquei o que eu queria, ele mostrou-me o catálogo e eu fui logo olhando todos os anjinhos!
Queria um anjinho pequeno, meigo e com carinha de sapeca!
Apontei para o desenho e ele logo perguntou afirmando: Vamos fazer agora?
Pensei comigo: - Faça logo, acabe com o seu sofrimento!
Só que resolvi mudar o local da tatuagem e vou explicar o motivo.
Pensei no futuro e fiquei imaginando um anjinho num bumbum de uma senhora, com ar triste e quase despencando lá de cima!
O tatuador morreu de rir comigo!
Decidi fazer no que chamo de "cartucheira"., aquele local logo abaixo da cintura, no quadril.
O anjinho é pequenininho, mas doeu pra burro, chorei, mordi a mão, rasguei o lençol descartável da maca e por fim saí de lá com minha tatuagem.
Uma de minhas filhas não acreditou que eu tinha tido coragem e me deu parabéns, a outra me olhou com olhar de reprovação e ficou quieta.
O anjinho é meigo, mas de vez em quando , quando engordo um pouquinho, ele fica meio bochechudo.
Querem saber?
Faria tudo novamente!
By Nana Pereira

Listas




















Fazer listas é uma de minhas manias mais marcantes.
Parece, se me lembro bem, que começou na adolescência.
Eu fazia listas dos livros que gostaria de ler, listas de discos que queria comprar, lista de convidados para minha festa de aniversário, etc...
O interessante é que todo ano eu fazia a tal lista de convidados, mesmo que não fosse haver festa.
Faço lista para quase tudo: coisas que quero aprender, músicas que quero ouvir, DVDs de óperas que quero ter, côres de tintas que preciso comprar para pintar, coisas que preciso arrumar em casa, lista de amigos que precisam de orações,lista de novos enfeites para a árvore de Natal, cremes que quero comprar e até a famosa lista de compras!
Vocês vão pensar: Como é organizada!!!
Não me façam rir, faço a lista como uma forma de ser organizada, mas estou muito longe disso.
Aliás, sempre esqueço a lista de compras em casa, só lembro quando já estou dentro do mercado.
Eduquei minhas filhas fazendo listas de tudo, mas a mais esperada era a primeira lista do ano, logo após o ano novo.
Fazíamos cada uma a sua lista de coisas que queríamos para o próximo ano e deixávamos em local visível.
Valia tudo, coisas materiais e coisas da alma.
O legal é que comemorávamos, riscando o que íamos conseguindo .
Algumas coisas até hoje ainda são passadas para a próxima lista.
Não sou organizada, mas sou teimosa!
By Nana Pereira

Os pombos de Santa Cecília




































Não sei o quê acontece, mas quando reclamo dos pombos que invadiram meu pequeno quintal, muita gente me olha como se eu fosse uma criminosa, uma criatura sem coração e vão logo dizendo:
- O que seria da Praça de São Marcos em Veneza sem os pombos?
Pois vou responder:
- Primeiro , não moro em Veneza, moro na Santa Cecília, São Paulo, Brasil.
-Segundo, os pombos estão destruindo os monumentos de Veneza. Os excrementos das aves estão corroendo as estátuas e baixos-relevos das construções , várias esculturas fissuras, resultado de bicadas e arranhões – sobretudo no nariz e ombros das estátuas,que as aves venezianas usam como poleiros.
Eles são atração turística e segundo ouvi dizer, são muito fotogênicos.
O problema é que meu quintal não fica em Veneza e não tenho nenhuma pretensão de tirar fotos com eles.
Chamo de quintal, uma pequena área que tenho nos fundos do apartamento que é como se fosse uma varanda. É aberto ,e é onde ficam meus cavaletes , telas , pincéis e tintas.
Pois bem!
Os meliantes implumados usam os cavaletes como poleiros, as telas como banheiros e ainda acham que sou cruel?
No outro dia resolvi dar um ponto final nos arruaceiros !
Comecei lavando o quintal, o que significa retirar várias caixas, 12 cavaletes, telas e caixas com peças de cerâmica que uso para pintar.
Precisei lavar até as paredes!
Acreditem, em três horas meu atelier estava limpíssimo e eu exausta!
Qual não foi minha surpresa quando , no dia seguinte, recebi a visita de um casalzinho de pombos procurando um lar!
MAS QUE CARA DE PAU, GRITEI ENLOUQUECIDA!
Só porque a dita pomba é um pássaro, acham que é bonitinho, limpo e enfeita o ambiente, quando na verdade é um importante vetor de doenças e faz muita sujeira.
Meu sangue espanhol ferveu ,e imediatamente tive uma grande idéia : Borrifei removedor por toda a parte , nos quatro cantos do quintal, como se fosse um ritual de macumba.
Encharquei toalhas com o removedor e coloquei em locais estratégicos
Chameio o ritual de "Velho truque índio"!
Sabem que deu certo?
Livrei-me dos pombos, mas agora sou uma consumidora costumaz de removedor!
Se eles voltarem, estou até pensando em colocar uma fonte e começar a cobrar para deixar esse pessoal que acha os pombinhos umas criaturinhas adoráveis visitar meu atelier.
Acho até que vou começar a pintar pombos!

Nana Pereira

Vida de artista





































Vida de artista é fogo!
Todo mundo acha que não precisamos de dinheiro, que vivemos na flauta, fazendo o que gostamos.
É verdade, faço o que gosto, mas também como e tenho contas a pagar.
É bem verdade que é uma delícia ser artista, mas também, é uma dureza sobreviver com arte.
Ainda sou uma artista desconhecida, apesar de ter telas na Europa, no Canadá , Buenos Ayres e pelo Brasil.
Costumo dizer que temos que ser artistas para sobreviver como artista.
Na última mudança de residência, furtaram-me uma tela que já estava vendida.
Era uma natureza morta, uma garrafa de licor, taças, uvas e uma homenagem à África do Sul.Provavelmente está pendurada em uma parede da casa do homem que fez a mudança.
Acho que ele não gostava de flores, pois invariavelmente ,só pinto flores e a única que sumiu foi a tela "Homenagem à África".
Recentemente, fui vilmente enganada por uma pessoa dita "amiga".
Ela encantou-se com uma tela de tulipas vermelhas quando veio a minha casa.
O episódio aconteceu em dezembro.
Combinamos que parcelaria em duas vezes e ela levou a tela.
Dois meses depois , a moçoila , que era minha amiga no orkut, postou uma mensagem dizendo que em duas semanas pagaria.
Até então, eu não havia cobrado.
As semanas passaram e nada aconteceu.
No final de fevereiro, criei coragem e deixei uma mensagem perguntando sobre o depósito.
Messalina ( chamarei a caloteira assim para não envergonhá-la) respondeu que faria o depósito no dia 1 de março.
Avisei que cairia no sábado e perguntei se ela não poderia fazer o depósito na sexta.
Ela apenas respondeu com um lacônico OK.
No terceiro dia do mês, constatei que o depósito não havia sido feito. Enviei uma nova mensagem, ao que ela respondeu que era para eu mandar o número da conta, pois não sabia aonde tinha anotado.
A essa altura, eu já estava sentindo-me a vilã da história ( Como sempre acontece com pessoas de boa fé).
Nem vou relatar as outras mentiras que ela enviou por mensagens, para não sentir-me mais tola do que sou.
Todos os amigos foram unânimes , chamando-me de tolinha, crédula, etc..
Hoje, três meses depois da suposta venda do quadro, telefonei para saber o que havia acontecido.
qual não foi o meu espanto, quando ouvi Messalina dizer que o dinheiro já estava na minha conta.
Indagada porque havia deletado-me de sua lista de amigos, respondeu:
- Você não cumpriu o que combinamos quanto ao parcelamento do pagamento.
Após proferir estas palavras, bateu o telefone na minha cara.
Oras! Em três meses, nada foi depositado e ela ainda queria parcelar?
Estou inconsolável!
Cada tela que pinto, é como se fosse uma filha querida.
Fico imaginando minha cria na parede da casa de uma pessoa sem caráter e mentirosa.
Triste sina das tulipas.
Parece que virou moda roubarem obras de arte atualmente.
Devo estar ficando famosa, pois já é a segunda tela minha que é roubada.
É!! Vida de artista não é moleza não!

Nana Pereira