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quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Bolinhos de chuva


























Dizem que é bom fazer quando está frio ou chovendo, mas eu os faço em qualquer época do ano.
E o mais incrível, é que sempre aparece um amigo ou uma amiga inesperadamente.
Bolinhos de chuva são mágicos.
É importante verificar se tem os ingredientes antes de começar a preparar a receita, eu sempre esqueço!
A receita é complicadíssima, siga os passos para não errar.
Coloque um CD do Djavan para tocar;
Ponha para fazer um café na cafeteira enquanto prepara a receita;

Coloque numa tigela :

3 ovos,
3 colheres de açúcar,
3 xícaras de farinha de trigo,
1/2 xícara de leite,
1 colher de sopa de fermento
1 pitada de sal

bananas ( cortadas em rodelas)

Misture tudo e frite em óleo quente. Jogar por cima uma mistura
de açúcar e canela em pó.

É importante que sua roupa fique cheia de farinha de trigo;
Não se asuste se labaredas entrarem dentro da frigideira;
A esta altura, o café está pronto e com certeza a campainha vai tocar!
Receba o visitante, sirva os bolinhos com café, mas não esqueça de pentear os cabelos antes.
By Nana Pereira

A história de Lucrécia



























Contarei a história de uma mulher triste, solitária e estranha a quem chamarei de Lucrécia por não saber o nome da Madrasta da Branca de Neve!
Lucrécia é mais nova do que eu, não casou, não teve filhos ,é massoterapeuta.
Uma mulher grande, de ossatura larga, com mãos enormes e pesadas ,que mais parecem duas raquetes.
Todas as vezes que ligo na casa dela e ela não está, entra uma gravação na secretária eletrônica que diz mais ou menos assim:
- "Eu vivo feliz a cantar, não tenho problemas , alegre é o meu caminhar......"
A gravação tem uma entonação de uma pessoa triste e infeliz, quando chega na parte do "não tenho problemas", tenho a impressão que ela vai chorar, fico até deprimida.
Uma vez sugeri que ela arrumasse um bichinho de estimação, já que ela reclamava que era muito triste chegar em casa e não ter ninguém lhe esperando.
Ela disse que ia pensar!
Um tempo depois, dei-lhe de presente um pequeno aquário com um peixinho Beta.
Ela ficou feliz , batizou o peixe , como eu faço com os meus peixinhos.
Um dia ,ela ligou-me aos prantos e por fim contou-me a tragédia: o peixe havia morrido!
Consolei-a e disse que é assim mesmo, eles morrem.
Ela deve ter ficado chocada quando eu disse que quando meus peixes morrem, canto a marcha fúnebre , jogo-os no vaso sanitário e dou a descarga!
Depois disso ela arrumou uma canária para lhe fazer companhia.
No final do ano passado, perto do Natal, ela me procurou e fomos almoçar juntas.
Estávamos no final do almoço, em um restaurante, quando o assunto mudou, sei lá porque, para pássaros.
Comentei que não tenho coragem de cortar as unhas do meu canário ( aliás, já morreu ) e que é minha filha quem as corta.
Foi então que ela resolveu me contar que uma vez foi cortar as unhas de um pássaro e ele lhe deu uma bicada.........., pegou minha mão minúscula e mostrou como foi a bicada: pegou a pele da minha mão e torceu com toda a força!
Senti uma dor absurda, meus olhos encheram-se de lágrimas, o local ficou roxo imediatamente.
Ela ainda brigou comigo por "estar fazendo cena" por causa de um beliscãozinho de nada!
Depois desse dia nunca mais a vi!
Lucrécia desapareceu!
By Nana Pereira

O banquete!













Às vezes, um pequeno almoço torna-se um banquete por causa da companhia!
Quando isso acontece, sinto-me presenteada por Deus.
Semana passada participei de um banquete , almoçando com uma amiga!
Serei obrigada a identificá-la, não criarei nenhum codinome para ela!
O banquete foi com minha amiga Joyce!
Joyce das pernas bonitas, do sorriso escancarado, da alma em festa, do coração cheio de amor.
Como sempre, ela chega depois do horário combinado e encontra uma pessoa roxa e com a barriga roncando!
Ela me sorri e eu retribuo o sorriso e nos abraçamos demoradamente.
Pedimos nosso Yakisoba e entre palavras e risos devoramos o coitadinho ,sem dó nem piedade!
Quando terminamos , eu como uma boa anfitriã digo:
- Podemos passar para a sala ao lado?
Ela sorri e concorda!
A sala ao lado é um Café onde servem uma torta de limão deliciosa.
Entre tortas e expressos, conversamos, rimos, sorrimos e até gargalhamos.
Esses são os melhores banquetes da vida, porque alimenta nossa alma e sacia nossa fome de amizade e amor!
Acho que todo mundo deveria banquetear-se de vez em quando!!

By Nana Pereira

Tenho amigos que ninguém tem

























Acho engraçado quando ouço alguém fala que "fulano é um bom amigo"!
Amigo sempre é bom, senão não é amigo.
Ao longo da minha vida fui conquistando vários amigos, e cada um é insubstituível em meu coração.
Minha filha Aninha sempre diz que tenho amigos que ninguém tem!
E é verdade!
Tenho amigos de todas as idades, cores e religões.
Tenho minha amiga Vilma , que é minha companheira de teatro e recitais,
Tenho a Yolanda, que é minha companheira de compras de Natal,
Tenho a Joyce que é companheira de Yakisoba,
Tenho a Marlene, que é companheira de comida japonesa,
Tenho a Gabi e a Camila que são companheiras de bolinhos de chuva,
Tenho a Cristina , que sempre que estou triste parece que adivinha e me liga,
Tenho o Romero que me tem como sua conselheira,
Tenho o Fernando que me conta suas histórias de vida,
Tenho o Sukita que almoça comigo todo sábado depois do ensaio da orquestra,
Tenho a Arlete que me ajuda a arrumar os armários da cozinha,
Tenho a Fernanda que está sempre ao meu lado nas horas boas e difíceis,
Tive empregadas e faxineiras que me traziam flores e vasinhos de plantas,
Tenho amigos que ninguém tem!
Talvez seja por isso que eu tenha um álbum de fotografias só de amigos,
Talvez seja por isso que meu caminhar seja sempre alegre apesar dos problemas.
By Nana Pereira