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quinta-feira, 31 de julho de 2014
A primeira visita ao salão , a gente não esquece
Minha mãe tinha cabelos pretos e ondulados, talvez por isso tenha decidido levar-me ao salão pela primeira vez aos 11 meses para fazer permanente.
Nasci careca,com apenas umas penugens na cabeça, e quando o cabelo foi crescendo mostrou-se liso e castanho bem clarinho!
Minha mãe então, resolveu fazer permanente nos meus cabelos!
Pois bem ainda lembro-me do tal dia, acreditem!
Lembro que havia um espelho grande e que colocaram almofadas na cadeira para eu ficar mais alta.
Não lembro do rosto da cabeleireira, mas lembro do cheiro ruim do produto que ela passou nos meus cabelos.
Ela puxava meus cabelos , enrolando num rolinho enquanto passava o produto fedido.
Chorei..........chorei muito!
E continuei chorando, soluçando!
Até que apareceram uns biscoitos do tipo Champagne para calar minha boca!
Comi os biscoitos e voltei a chorar!
Minha mãe saiu para comprar uma chupeta para mim.
Queriam calar minha boca de qualquer jeito!
O cabelo ficou estranho, cheio de cachinhos e escureceu!
Não lembro de ter levado palmadas por causa da choradeira, mas a chupeta foi jogada fora!
Minha mãe deve ter desistido de mudar meu visual, pois nunca mais inventou de me deixar com cabelos encaracolados.
Acho que não combino com cabelos encaracolados, gosto do jeito que são!
Nana Pereira
domingo, 17 de novembro de 2013
E o vento levou
Eu devia ter uns onze ou doze anos quando descobri o livro na estante.
Não foi difícil achá-lo, já que era o livro mais grosso e mais pesado que eu já havia posto os olhos.
Nana Pereira
terça-feira, 17 de novembro de 2009
O dia em quase fui à Paris

Foi em abril de 2003, acho que foi por volta do dia 24 que tudo começou.
Meus dias andavam meio tristes e eu quase nem sorria, não olhava o céu,
sequer ia até a varanda.
O telefone tocou e recebi a melhor notícia dos últimos tempos em forma de
pergunta:
_ Quer realizar o grande sonho da sua vida?
Eu estava recebendo passagens de ida e volta para Paris.
Primeiro pensei que era uma brincadeira, depois achei que estava sonhando e
finalmente cheguei à conclusão de que Deus estava satisfazendo a um de
meus mais velhos desejos: ir à Paris.
Meu coração encheu-se de emoção, uma alegria imensa inundou minha vida e a
todo instante meus olhos brilhavam e sorriam.
Fui até a varanda e me debrucei no parapeito para olhar as pessoas que
andavam na rua. Era horário de almoço e o dia me pareceu iluminado, cheio
de cores.
Coloquei para tocar aquele meu velho CD de "Chansons Françaises" e dancei,
cantei e meu coração transbordou de tanta felicidade. Lembrei-me da "Rue de la Felicité"....
A vida passou a ter outro sabor. AH! La vie en Rose"...
Cheguei a sentir o cheiro do café servido nas mesas dos Cafés de Paris,
andei pelas ruas, olhei bem de perto a Torre, o Arco do Triunfo...
Vi pessoas elegantes, turistas nem tão elegantes, gente falando em
francês..
_ OH! Mon Dieu!!!
Durante 24h fui a pessoa mais feliz e agradecida do mundo.
De repente, não mais que de repente, as passagens foram recolhidas sem que eu
tivesse voltado à realidade e mesmo assim, continuei com aquela sensação de
felicidade.
E agora mais do que nunca aprendi que : O coração pode fazer planos, mas a
resposta certa dos lábios vem do Senhor.
Aprendi que sonhar cura praticamente todas as tristezas da vida.
Aprendi que sempre existe motivos para sermos felizes.
Aprendi que a verdadeira riqueza é aquilo que somos, não o que temos.
Aprendi que rica é a pessoa que está contente com o que tem.
Aprendi que as sensações boas se tornam ainda melhores quando são
compartilhadas.
Aprendi que as pessoas são tão felizes quanto resolvem ser.
Por isso e apesar de tudo, continuo me encantando e agradecendo a Deus por
estar viva.
Talvez eu devesse mudar o título dessa história e chamá-la de "A vida é
bela".
Agradeço especialmente às minhas duas meninas muito amadas, à minha
querida amiga Yolanda, a todas as minhas amigas por serem
muito mais importantes para mim do que minha viagem à Paris.
A todos que lerem essa história : AU REVOIR!!!!!
By Nana Pereira
quinta-feira, 12 de novembro de 2009
E o vento levou!

Devia ter uns 12 anos quando encontrei "E o vento levou" na estante de casa!
O livro era grosso e pesado,
Isso aguçou minha curiosidade.
Imediatamente fui proibida de lê-lo
Mamãe disse: isto não é leitura para meninas!
Fiquei mais curiosa ainda!
Escondi o livro !
Passei a ler no quintal, em pé, no finalzinho da tarde.
Os braços doiam com o peso do livro
Mas, Scarlett O"Hara valia o sacrifício!
Tínhamos algumas coisas em comum:
não era bela, mas tinha delicadas feições ,
a despeito da meiguice que o rosto aparentava,seus olhos, eram travessos, voluntariosos e petulantes.
Era como eu gostaria de ser: impulsiva, voluntariosa, ousada e exibida.
BY Nana Pereira
sábado, 4 de julho de 2009
A melhor hora do dia

Quase 23h , estou cansada, com fome , mas estou muito feliz.
Vou explicar porque.
Hoje foi a comemoração de final de semestre da orquestra que faço parte.
A cada seis meses fazemos um Festival onde se apresentam corais, bandas, orquestras, e afins.
A apresentação começou às 7:45 ( com atraso, é claro!), mas estávamos no clube desde as 15:30h.
Correu tudo bem, alguns deslizes,uns tropeções, mas final feliz.
Nem sei porque estou falando de música, já que o assunto é totalmente diferente.
Ah! Lembrei!
Tivemos um intervalo antes de começar ao Festival e fiquei pensando em como estava frio e em como seria bom estar em casa tomando um capuccino quentinho.
Seria , definitivamente a melhor hora do dia.
Lembrei de quando minha caçula era pequena e não queria de jeito nenhum ir para o jardim de infância.
Todas as manhãs era a mesma coisa, uma choradeira sem fim, leite entornando na toalha da mesa, ela agarrando-se aos meus cabelos, aos meus brincos e uma vontade de chorar junto com ela.
Afinal, ela só tinha 3 anos de idade e era dona dos cachinhos mais lindos que já vi na vida..
Após várias semanas de soluços e corações partidos, tive uma idéia brilhante!
Sentei ao lado dela no sofá enquanto penteava seus cachinhos e perguntei:
- Você sabe qual a melhor hora do dia?
Ela olhou bem dentro dos meus olhos e respondeu:
- Não sei mamãe, qual é?
- É a hora de buscar você na escolinha, respondi.
Ela ficou quieta e eu continuei , por isso você tem que ir para a escolinha.
Se você ficar em casa, como teremos a melhor hora do dia?
Aquela hora em que você pula nos meus braços, engancha as pernas em torno da minha cintura e me conta tudo o que aprendeu, as musiquinhas que cantou, os desenhos que pintou e eu aperto você , encho suas bochechas de beijos e vamos para casa almoçar.
A partir daquele dia, ela parou de chorar e quando ameaçava um choramingo eu perguntava:
- Qual a melhor hora do dia?
Imediatamente ela gritava:
- Hora de "bucar"!
Nana Pereira
sexta-feira, 19 de junho de 2009
Coleções
Cada um de nós traz dentro de si um pequeno mundo , cheio de mistérios e inquietações.
Muitas vezes passamos toda uma vida sem que alguém realmente perceba o que vai dentro de nossos corações.
Corre-se tanto atrás do tempo que não se tem tempo para viver realmente.
Às vezes é só questão de perceber as entrelinhas, aquelas pequenas mensagens que enviamos todos os dias e que passam em branco.
Descobri recentemente na casa de uma amiga, uma coleção de relógios, lindamente acomodada em uma mesa com tampo de vidro.
Fiquei fascinada com a beleza das peças, o cuidado com que são guardadas.
A coleção é do marido dela. Fiquei pensando no que leva alguém a colecionar relógios e tenho minha teoria.
Penso que o marido em questão deva ser extremamente metódico, organizado e meticuloso.
Talvez tenha passado sua vida correndo atrás do tempo e perdido grandes chances de viver realmente em função de seus desejos e sentimentos.
Tenho um outro amigo que coleciona sinos. Sinos de todos os tamanhos e cores.
Este, passou e passa boa parte de sua vida dentro da igreja . além de frequentar os cultos religiosamente, faz parte da orquestra e ganha seu sustento trabalhando na entidade.
Quando nos encontramos, ele faz comentários sobre minha ausência periódica nos cultos e diz que decididamente não vou para o céu.
Bem, se o passaporte para o céu depender do número de vezes que vou à igreja, realmente estou em maus lençóis.
Tive uma conhecida que colecionava cães, pequenos bibelôs espalhavam-se pelos móveis, prateleiras e estantes. Sua paixão por cães ficava no âmbito das porcelanas e cristais, já que os de verdade passavam longe de sua vida.
Acho que coleções são imprescindíveis na vida de uma pessoa, elas dizem muito sobre o interior de uma pessoa.
Tenho algumas coleções que decididamente falam muito de mim.
Tenho uma pequena coleção de bonecas que encanta meus olhos e meu coração. Talvez por não ter tido muitas na infância, ou por carregar dentro de mim uma criança com sede de brincar e de viver.
Tenho coleção de canecas, de vários tamanhos e de várias nacionalidades. Como sou apreciadora de café e cappuccino, talvez isso explique o encanto pelas peças.
Coleciono chaveiros há muitos anos, tenho uma caixa mais ou menos organizada (o forte do pisciano decididamente não é a organização) onde os atiro depois de usá-los por um tempo. Talvez a explicação esteja no número de vezes que mudei de residências e na quantidade de chaves que às vezes nem sei de onde são e para que servem.
Mas, de todas as coleções que tenho, a melhor e a mais amada , é a minha coleção de cartas,fotografias, cartões e bilhetinhos de amor.
Estas estão em um baú , cresce a cada dia e são verdadeiramente o meu tesouro.
Sei que essa coisa de coleção é um pouco de bobagem, nada levaremos daqui quando partirmos, mas gosto de ler e reler pequenas mensagens de amor e carinho que recebi ao longo da vida e invariavelmente me emociono e sinto saudade de momentos em que fui tão feliz.
Sei que não vou levá-la , mas nela deixarei um pouco de mim para os amigos, para as filhas e netos (se um dia os tiver).
É a prova de que por aqui passei, vivi, amei, existí.
Nana Pereira
sexta-feira, 30 de janeiro de 2009
Os melhores anos

"Ouço teu silêncio e o transformo num sorriso."
Américo Novaes
Estava sentada na varanda com os olhos fechados enquanto as recordações povoavam seus pensamentos e invadiam seu coração!
Dali a poucos dias faria oitenta e quatro anos.
A vida lhe fora generosa, ainda conservava a mente sadia e ainda tinha gosto em cuidar do jardim.
Semeava dálias e prímulas enquanto pensava na vida. Como num filme, via os momentos felizes que vivera.
Com os cabelos presos por uma fivela de estrela, Passava alguns momentos em sua varanda, ora cuidando, ora apreciando seus vasos de flores.
Ainda conservava o pé de romã, o pé de cereja e os hibiscos de toda uma vida.
Gostava de ser acordada pelo canto dos bem-te-vis, ouvir o sino da igreja e,só assim levantava-se para fazer o café.
Era uma mulher alegre,sonhadora , curiosa, cheia de idéias, gostava de escrever poesias e histórias enquanto olhava o céu cheio de estrelas.
Sim, sempre fora apaixonada por estrelas. Costumava dizer que só elas sabiam entender o que ia em seu coração.
Tivera poucos amores,muitas alegrias e alguns dissabores, todavia nunca perdera a capacidade de sonhar.
Há trinta anos conhecera aquele que seria o grande amor de sua vida, fora apaixonando-se lentamente por ele à medida que ia descobrindo coisas em comum, pensamentos idênticos e suas almas pareciam se completar.
Ainda lembrava do rosto dele no primeiro encontro , ao vê-la no vestido de renda preta, deram-se as mãos e em silêncio caminharam, cada um sentindo o perfume do outro, cada um ouvindo o bater do coração do outro.
Seus mais belos poemas de amor foram inspirados por ele, jamais alguém tocara sua alma como ele tocou.
Sentia saudade das flores que ele trazia junto com sorrisos e beijos apaixonados, do café da manhã de mãos dadas, torradas com geléia, cerejas e beijos.
Com ele havia vivido os melhores anos de sua vida.Guardara cada cartão, cada bilhetinho,os brincos e o anel, os livros que ele lhe trazia vez ou outra, os CDs de música clássica, músicas francesas, fotografias , as bonequinhas japonesas que enfileiradas, enfeitavam a cômoda do quarto, mas sobretudo, guardava na memória e no coração as declarações de amor, os abraços e os momentos meigos que juntos viveram.
Quantos belos momentos viveram e quantos nunca foram vividos!
Há trinta anos pintara uma caixa de cor prata e salpicara estrelas na tampa para guardar essas recordações.Dentro dela , como num quebra-cabeças, pedaços de sua vida.
Fora feliz como talvez muitas pessoas nem imaginem, tivera o melhor dele, deixara seu nome gravado para sempre em seu coração.
Em silêncio, relia cada cartão, o coração transbordando de amor , as lágrimas desciam inevitáveis, acompanhadas de um sorriso que iluminava seu rosto.
Nana Pereira
segunda-feira, 5 de janeiro de 2009
O tempo e o vento

Houveram épocas em que o relógio era meu fiel companheiro de todos os momentos, às vezes até dormia com ele.
Meu dia era cronometrado, cada minuto tinha uma importância vital.
Acho que eu tinha uns oito relógios, todos funcionando. Em casa haviam seis relógios de parede.
Durante muitos anos segui à risca os horários , sempre fui do tipo pontual e muitas vezes cheguei antes do horário em meus compromissos.
Não posso reclamar, foi uma época feliz em que eduquei minhas filhas.
Tínhamos horário para comer, conversar, ler, brincar, estudar e sonhar.
Está certo que os sonhos ficavam no final da fila, mas sempre estiveram presentes.
Hoje, continuo tendo a mesma quantidade de relógios, mas estão perdidos em alguma gaveta.
Acordo com a luz do sol entrando pela janela, almoço quando tenho fome, aprecio achuva caindo na torre da igreja, encanto-me com a luz das estrelas.
Hoje fui ao dentista e saí bem antes para poder andar sem pressa, observar os caminhos, as pessoas, as árvores .
Gosto de sentir o vento no rosto, nos cabelos, sem importar-me se vão despentear-me .
Gosto de poder sentar-me em um Café e comer minha torta predileta acompanhada de um café e olhar para as pessoas que passam apressadas.
Já tive pressa também e entendo que faz parte de nossa vida essa fase de correr contra o tempo.
Hoje, prefiro correr com o vento, ao seu lado, desfrutar da brisa , do sereno e da delícia que é estar viva.
Semana passada, estive no médico e contei-lhe que tenho acordado durante as madrugadas para escrever, que as idéias e as palavras querem sair do meu cérebro para o papel.
Ele receitou-me um remédio para eu dormir sem acordar durante a madrugada.
Disse-me que preciso dormir, afinal não sou nenhum Jô Soares ou alguma escritoar famosa.
Saí do consultório sentindo um certo pesar, uma certa tristeza, não por não ser o Jô Soares, mas por ver que em nossa sociedade não é permitido sonhar, se sonhamos somos loucos e irresponsáveis.
Não tenho a pretensão de ser um Jô Soares de saias, mas também sei que ele não nasceu famoso e que deve ter ouvido muitas histórias e conselhos deste tipo: Arrume um emprego e escreva nas horas vagas, afinal você não é nenhum Rui Barbosa.
O que se pode esperar de um país onde a leitura não é incentivada, onde cultura é só para quem tem dinheiro?
Enquanto isso deixo que o vento acaricie meu rosto e despenteie meus cabelos enquanto sonho....
By Nana Pereira
Banho de espuma
Há muitos anos , morei em frente à Praça Buenos Aires e todos os dias , era acordada não pelo canto de um pássaro, mas por uma sinfonia de bem-te-vis e sabiás .
Eles iam entrando sorrateiramente em meu sonho , até que despertavam-me por completo.
Eu abria os olhos, espreguiçava-me , ia até a janela ver a renomada orquestra que ousava entrar em meus sonhos!
Eu tinha todo um ritual pela manhã , antes de sair para o trabalho,enchia a banheira com água quentinha, colocava sais de banho perfumados e ficava por vinte minutos soterrada pela espuma ,que muitas vezes transbordava pelo banheiro adentrando o corredor do apartamento.
Fechava os olhos e olhava para dentro de mim mesma sonhando com a tal felicidade.
Acho que era o único momento que sentia-me em paz naquela época.
Tinha uma orquestra sinfônica matutina só para mim, um apartamento imenso, uma biblioteca com tantos livros que talvez jamais tenha novamente, mas era imensamente infeliz.
Ainda consigo lembrar do canto dos pássaros e da espuma escorrendo pelo chão do banheiro.
By Nana Pereira
Eles iam entrando sorrateiramente em meu sonho , até que despertavam-me por completo.
Eu abria os olhos, espreguiçava-me , ia até a janela ver a renomada orquestra que ousava entrar em meus sonhos!
Eu tinha todo um ritual pela manhã , antes de sair para o trabalho,enchia a banheira com água quentinha, colocava sais de banho perfumados e ficava por vinte minutos soterrada pela espuma ,que muitas vezes transbordava pelo banheiro adentrando o corredor do apartamento.
Fechava os olhos e olhava para dentro de mim mesma sonhando com a tal felicidade.
Acho que era o único momento que sentia-me em paz naquela época.
Tinha uma orquestra sinfônica matutina só para mim, um apartamento imenso, uma biblioteca com tantos livros que talvez jamais tenha novamente, mas era imensamente infeliz.
Ainda consigo lembrar do canto dos pássaros e da espuma escorrendo pelo chão do banheiro.
By Nana Pereira
segunda-feira, 10 de novembro de 2008
O funeral da boneca
Na noite anterior, várias flores damas da noite haviam perfumado os canteiros ao redor da casa, o cheiro adocicado ainda permanecia no quintal naquela tarde.
Num canto , perto do jardim, sentei para brincar com minhas bonecas de papelão.
Naquele tempo existiam bonecas de papelão que enfeitavam as garrrafas de refrigerantes nas mesas de aniversário e tão logo a festa acabava, rapidamente eu as recolhia para brincar.
Era uma daquelas tardes quentes de mormaço em que qualquer esforço mínimo era simplesmente insuportável.Sentei-me à sombra com minhas bonecas de papelão e reparei que uma delas estava com o pescoço por um fio.
Menos uma, pensei!
Foi aí que tive a idéia de dar-lhe um funeral digno, com velas, rezas e até lágrimas.
Pobre bonequinha, tão jovem!
Deitei-a sobre a tampa de uma caixa de sapatos e munida de duas velas brancas e uma caixa de fósforos, dei início ao funeral.
Lembro-me de cantar baixinho a música "O pequenino grão de areia", acho que era porque toda vez que ouvia esta música eu chorava .
E não foi diferente daquela vez.
Cantei toda a música enquanto acendia as velas ao lado do "corpo" inerte da boneca .
O perfume doce das flores, o cheiro da parafina das velas queimando, a música triste e a reza faziam do funeral um momento solene.
Enquanto as velas ardiam ao lado do corpo da boneca, comecei a cavar o local onde a enterraria .
Tudo muito solene e respeitoso!
De repente, o portão se abre e entra meu pai com aquela cara de poucos amigos !
Rapidamente, ele percebe as velas acesas e as apaga rispidamente dando-me um safanão.
Senti uma mistura de tristeza e raiva por sua incompreensão .
Em silêncio , terminei o funeral da boneca sem nem mesmo o final da reza.
Depois daquela tarde, nunca mais brinquei com as bonecas de papelão...
Nana Pereira
sábado, 8 de novembro de 2008
Para ser feliz!

Há pessoas que pensam que para serem felizes , precisam ter muitas coisas materiais!
Sou do tipo que fica feliz com pequenas coisas.
houve uma época em que precisei morar em um quarto e sala com minhas duas filhas.
O apartamento era bem bonitinho, mas era muito pequeno!
No quarto havia apenas um beliche, uma escrivaninha para as meninas estudarem e um guarda-roupas.
Uma vez uma amiga me disse:" Não entendo você, compra lingeries lindas para dormir sozinha e ainda por cima nem tem uma cama!"
Não cabia uma cama para mim, por isso eu dormia em um colchonete.
Vocês vão pensar : Coitada, não tinha cama !
Não sintam pena!
Eu acampava todos os dias , e nos fins de semana ganhava café na cama e fazia piquenique com as crianças.
Tomava banho de porta aberta quando chegava do trabalho para ouvir minha filha tocar minhas músicas preferidas no órgão!
Haviam relógios por toda a casa.
Acho que eram para nos lembrar de como a vida passa rápido e que temos que aproveitar o máximo os momentos felizes!
Acho que quando Deus criou-me, deu-me uma alma alegre e simples!
E depois, quando cresci, deu-me duas lindas filhas que são a minha paixão!
By Nana Pereira
quinta-feira, 6 de novembro de 2008
Manhã de primavera

Que canto é este que invade meu quarto e atrapalha meu sono logo cedo?
O dia mal acabou de nascer e a cantoria já anda à solta.
Será o canário do vizinho triste que só usa camisas escuras e bate a porta do elevador?
Será o curió que fez seu ninho bem na torre da igreja, sem alvará ou contrato de aluguel?
Ou será que é um sabiá-laranjeira alardeando a chegada da primavera?
O jardim já está florido, a romanzeira não se aguenta de tanta flor. Um sanhaço passeia displicentemente na grade do jardim, observa os vasos de flores e vez ou outra sorve uns goles de água dos bebedouros.
O céu está bem azul, o sol brincalhão bafeja sobre os prédios. No cavalete, um quadro de cerejeiras inacabado, um tubo de tinta vazio, um pincel caído no chão.
O celular avisa que chegou mensagem. Sinto o coração bater mais rápido, sento na beira da cama , prendo os cabelos e vou em direção à cozinha.
Minha cachorrinha segue-me toda alegre esperando meu carinho e sua ração, é claro.
Preparo meu café, cantarolo um trecho da música que toquei ontem no concerto enquanto passo geléia nas torradas.
Sinto saudade da minha caçadora de joaninhas...
Nana Pereira
sábado, 1 de novembro de 2008
Ensinando com amor

Minha paixão por ensinar vem desde que eu era bem menina!
Quando me perguntavam o que eu queria ser quando crescesse , eu logo respondia:
- Quero ser escritora e professora!
Acho que naquele tempo, quase toda menina queria ser professora , e tão logo terminei o antigo ginásio, fiz uma espécie de vestibular para entrar na "Escola Normal Sara kubitschek ".
Nunca entendi porque davam o nome de "Escola Normal", ficava pensando se as outras escolas eram anormais!
No último ano do curso, as escolas estaduais do Rio de Janeiro estavam com carência de professores e as melhores alunas de magistério das escolas Sara kubitschek e Carmela Dutra, foram chamadas como estagiárias.
Foi assim que aos 17 anos ganhei o título de professora.
A escola era uma escola modelo, tudo era muito limpo, a diretora era temida por ser extremamente exigente, costumavam dizer que quando ela adentrava o portão da escola , todos tremiam.
Fui muito bem recebida e não tremi, tenho que confessar!
Foi empatia à primeira vista!
Minha classe era composta por crianças de 6 e 7 anos, a maioria com dificuldade de aprendizado.
Havia um regulamento a seguir e toda uma didática imposta pelo MEC.
Eram 25 crianças a serem alfabetizadas .
Nas primeiras semanas segui à risca o plano de aula que a mim fora designado, mas com o passar das semanas, fui acrescentando uns toques pessoais às aulas.
Minhas crianças sentavam-se no meu colo, ficávamos de mãos dadas, nos acariciávamos e algumas alunas até penteavam os meus longos cabelos lisos (o que acarretou em uma invasão de piolhos na minha cabeça).
Descobri que havia uma vitrolinha e discos de histórias e cantigas de roda na sala de material didático, então , pelo menos umas 2 vezes por semana ouvíamos histórias e acreditem, dançávamos na sala de aula.
Encostávamos as mesas e cadeiras na parede e a sala virava um salão de dança.
Os meninos dançavam com meninos e as meninas com as meninas e todos, sem exceção dançavam comigo.
Eram tardes extremamente alegres e no final, recolocávamos as mesas no lugar para não sermos descobertos.
As crianças adoravam ouvir as histórias , tínhamos a nossa história predileta que era "A formiguinha e a neve". Perdi a conta de quantas vezes a ouvimos e invariavelmente chorávamos na parte em que Deus mandava o sol para descongelar a formiguinha e a salvava da morte. Nesse momento nos abraçávamos com os olhos cheios de lágrimas e sentíamos mais próximos do criador.
Mas, era muito difícil para mim ficar presa dentro da sala de aula, foi então que pedi autorização à diretora para criar umas aulas de recreação ao ar livre.
A escola tinha um grande espaço de terra com plantas e árvores, que não era utilizado a não ser na época das festas juninas. Apresentei meu projeto e no dia seguinte ele já foi aprovado.
Passamos a descer por uma hora para passear , correr, fazer exercícios , descobrir insetos e brincar.Cada aluno trazia um short dentro da mochila e trocavam de roupa no banheiro.
O triste era que éramos a única turma com essa atividade, percebia os olhares de admiraçõa e porque não dizer de inveja das outras crianças.
Criamos uma mini biblioteca dentro da sala de aula e passávamos boa parte do tempo lendo e folheando os livros.
Viajávamos a cada história e depois as crianças desenhavam e davam sua interpretação para a história.
Em setembro, resolvi fazer uma exposição dentro da sala de aula sobre as quatro estações.
Dividi a turma em quatro grupos e cada um deu sua contribuição em desenhos, colagens e montagens.
Enviamos convites para as outras turmas virem nos visitar.
Acreditem, foi um sucesso! As crianças , cada qual com seu assunto, explicavam as singularidades de cada estação do ano.
Ainda lembro do orgulho que senti de cada um deles!
Recebi um cartão de agradecimento pelo belo trabalho da direção da escola e foi como se tivesse ganho um prêmio Nobel!
Hoje, tantos anos depois fico me perguntando como estará cada uma dessas crianças.
Sei que fiz a diferença na vida delas e agradeço a Deus por ter essa alma de criança livre e sonhadora até hoje.
Nana Pereira
quarta-feira, 3 de setembro de 2008
A casa da vovó

Era a casa mais bonita do bairro.
Pelo menos era o que eu pensava quando era criança.Os muros eram revestidos de pedras São tomé, haviam dois portões pretos , metade fechado e a outra metade em grade. O portão social tinha uma caixa para correio. O engraçado é que este portão não era usado, usávamos o portão da garagem que vivia apenas encostado.Na entrada havia um caramanchão de alamandas amarelas, o chão vivia cheio de pétalas , como se fosse um tapete para receber minhas visitas.Era realmente bonito de se ver. Bem na frente da casa ficava um lago com chafariz .No centro , um enorme sapo verde de louça espirrava água da boca.Dizem que o sapo evoca sorte, evolução, humor e transformação. Diz-se que ao coaxar, o sapo coloca seu coração em sintonia com o céu, solicitando diretamente as dádivas desejadas.Talvez seja por isso que meus avós tenham sido tão felizes. Nas tardes de verão, eu sentava à beira do lago e sem que ninguém visse, colocava os dois pés dentro do lago. Acho que a idéia era de colocar peixes no lago, mas ele nunca foi habitado, a não ser pelos meus pés. A varanda tinha pilastras de mármore branco. Lembro-me do vovô recostado numa das pilastras lendo a Bíblia logo após o almoço.Ele gostava de fazer anotações dos versículos em um caderno espiral .Após a leitura, ele fazia a siesta. Acho que ele sabia a Bíblia de frente para trás.
A varanda era a parte da casa que eu mais gostava, era fresquinha, tinha belas cadeiras brancas com almofadas floridas, uma mesa com tampo de vidroe vasos de flores. As cadeiras eram bonitas, mas eu gostava mesmo era de deitar no chão.Deitava-me para observar e vigiar as formigas que subiam pelas paredes.Incansáveis, em fila indiana, percorriam toda a varanda, até a janela do quarto da vovó. No parapeito haviam vasos de gerânios coloridos.
Acho que as formigas escalavam a parede apenas para ver de perto as flores.
Muitas vezes adormeci enquanto observava a vida das formigas.
Doce de laranjas!

Adoro doces, mas o meu predileto é o doce de laranjas da mamys!
A receita é de família!
Vou contar o segredo:
O doce é feito à quatro mãos!
As laranjas são colhidas no quintal!
Quem descasca as laranjas e retira o miolo é o papai!
Quando fica cansado, faz uma pausa e sapeca uns beijos na mamys.
Depois as laranjas são colocadas de molho para perder o amargo.
Que doce bom, meu Deus!!
Na calda, um suave sabor de cravos, dão o toque final!
O doce é colocado em compotas na geladeira,
Ficam esperando minha visita para serem comidos!
Que doce bom, meu Deus!
Doce de laranja feliz!
Mais feliz sou eu, que posso prová-lo!
Feliz sou eu, que posso comer doce de laranjas feito à quatro mãos!
By Nana Pereira
A primeira Alice da família!

Meu avô se chamava João, e era um homem bom!
Nunca vi meu avô triste ou irritado.
Gostava de colocar apelido nas pessoas e era apaixonado pela vovó!
Lembro-me dele sentado na frente da TV e a vovó fazendo coceirinha nas costas dele,
Lembro-me dele contando a história de como fugiu da escola para não apanhar mais de palmatória.
Vovó saía para a ginástica e ele fazia a comida, e lavava a louça antes dela chegar.
Todos os dias depois do almoço, ele sentava na varanda para ler a Bíblia e fazer suas anotações com letras ininteligíveis. Acho que só ele sabia o que havia escrito.
Aos domingos, pegava a lista da feira que a vovó fazia , colocava dentro da Bíblia e ia para o culto.
Quando cresci e mudei para São Paulo,sempre que alguma coisa me afligia,telefonava e pedia que ele orasse por mim, parece que Deus atendia mais rápido, tal a fé dele.
Com a velhice, seu problema de surdez agravou-se, foi ficando cada vez mais surdo.
Foi nesta época que o apelidaram de Alice.
A família estava em guerra, o mundo cheio de violência, mas como era surdo não ouvia nada.
Quando ele despontava na esquina, meus primos já avisavam: Alice está chegando!!
Viveu feliz até os 98 anos.
By Nana Pereira
Cajueiro mágico

Quase todo mundo tem recordação de um cajueiro da infância!!
A minha recordação é mais recente!
Eu já morava em São Paulo e quando ia de férias para a casa dos meus pais foi que descobri o cajueiro!
Eles moram em um sítio e o cajueiro ficava em cima do morro.
Todos os dias pela manhã eu levantava e pegava uma cestinha e ia colher cajus!
O Cajueiro estava lotado de cajus!
Enchia a cestinha e descia o morro toda feliz!
Que delícia tomar suco de caju feitinho na hora!
No dia seguinte, lá ia eu de novo com a cestinha, e pasmem, ele estava lotado novamente de cajus!
Todos os dias eu tinha certeza de que havia pegado todos os cajus, mas no dia seguinte lá estavam , prontos para serem colhidos!
Acho que havia alguma coisa de mágico e inexplicável!
Nunca entendi!
Hoje quando vou visitar meus pais, sinto saudade do cajueiro, que foi sacificado por uma piscina!
Todavia, ainda sinto o perfume dos cajus quando sento-me à beira da piscina durante as noites de verão!
By Nana Pereira
O caso dos despertadores

Eis uma história que ensina a como enlouquecer uma pisciana.
Meu segundo marido, a quem vou chamar carinhosamente de F2 ( Falecido 2), para economizar letras e não identificá-lo,tinha dois empregos, trabalhava como um camelo, ou seria como um cão?
Ele era tão quentinho, adorava dormir com cabeça no peito dele.
Bem , não importa! O que importa é que como dormia muito tarde e tinha que acordar muito cedo, usava vários despertadores para não perder a hora.
Mas não pensem que os despertadores ficavam enfileirados , ele os escondia para não travá-los inconscientemente.
Eram quatro despertadores, incluindo uma galinha que ficava cacarejando e só dizia "Good morning" quando era travada.
E o pior, só ele sabia os esconderijos.
Colocava cada um para despertar uma hora, com diferença de 5 minutos.
O primeiro despertava à 4:45m, o segundo às 5:00, o terceiro às 5:15, o quarto à 5:30 e pasmem, usava o meu despertador também, para despertar às 5:45.
A casa inteira, e acredito que o prédio inteiro eram acordados com a sinfonia de PIPIPIS e COCORICÓS!
Certa manhã, fui acordada pelo primeiro despertador e percebi que estava com dor de cabeça, comecei a procurar os outros despertadores.
Imaginem a cena : uma mulher de camisola, descabelada, com dor de cabeça, rastejando pelo chão à procura de despertadores.
Foi uma experiência inesquecível!
Quando achei o último debaixo da cama, marchei como um soldado enraivecido, com todos nas mãos e "sepultei-os na lata de lixo.
Evidentemente F2 perdeu a hora, mas minhas filhas agradeceram com beijos efusivos, e imagino que a vizinhança também me agradeceu em pensamento.
Depois disso, um único despertador tocava às 5:30 e eu dava-lhe uma sacudida para acordá-lo.
E vivemos 5 anos felizes...
O mais estranho, é que depois que nos separamos nunca mais nenhum despertador funcionou no meu quarto!
By Nana Pereira
O dia em que a vaca foi para o brejo

Não me lembro da data, mas já devem fazer uns 5 anos mais ou menos.
Naquele dia resolvi colocar salto alto para ir trabalhar!
Acho realmente que o salto alto nos deixa elegantes, mas também acho muito cansativo e um tormento desnecessário para mim.
Tenho 1,70 e não preciso de salto para parecer mais alta do que sou, mas reconheço que fico mais elegante com ele.
Escolhi o "marvado" como nossas avós escolhiam feijão no passado, com muito cuidado, sem pressa, como se nada mais houvesse no mundo para fazer.
Tudo estava perfeito, o sapato não machucou meu pé, não fez bolhas na sola.
Saí do trabalho exultante, afinal teria que andar meia hora para chegar em casa.
Após andar uns 50 m , minha sorte mudou: o salto do pé direito simplesmente caiu.
Assim, sem nenhum aviso , muito menos respeito!
A situação era calamitosa, como iria conseguir andar com uma diferença de 5cm de um pé para o outro!
Olhei para o sinal de pedestre que estava verde , mantive a pose e atravessei a rua na ponta do pé!!
Estava de calça comprida e se não olhassem para os pés, não perceberiam um pé fantasma!
Sorri para mim mesma e pensei em como era esperta!
Ai meu pai!
Muito esperta mesmo!!
Após meia hora de caminhada na ponta do pé, minha perna direita estava imprestável, parecia que ia cair, assim como o salto do sapato caiu!
Passei 2 dias com uma dor horrorosa na perna, fiz compressas, passei creme, gelol e nada fazia efeito.
Após este episódio, decidi não ser elegante nunca mais.
Agora , se tiver que caminhar mais de 2m, vou de tênis e levo o sapato "elegante" na bolsa.
Algum dia farei uma pesquisa com milhares de piscianas para saber como conseguem usar salto alto e andar ao mesmo tempo.
By Nana Pereira
A primeira visita ao salão , a gente não esquece

Minha mãe tinha cabelos pretos e ondulados, talvez por isso tenha decidido levar-me ao salão pela primeira vez aos 11 meses para fazer permanente.
Nasci careca,com apenas umas penugens na cabeça, e quando o cabelo foi crescendo mostrou-se liso e castanho bem clarinho!
Minha mãe então, resolveu fazer permanente nos meus cabelos!
Pois bem ainda lembro-me do tal dia, acreditem!
Lembro que havia um espelho grande e que colocaram almofadas na cadeira para eu ficar mais alta.
Não lembro do rosto da cabeleireira, mas lembro do cheiro ruim do produto que ela passou nos meus cabelos.
Ela puxava meus cabelos , enrolando num rolinho enquanto passava o produto fedido.
Chorei..........chorei muito!
E continuei chorando, soluçando!
Até que apareceram uns biscoitos do tipo Champagne para calar minha boca!
Comi os biscoitos e voltei a chorar!
Minha mãe saiu para comprar uma chupeta para mim.
Queriam calar minha boca de qualquer jeito!
O cabelo ficou estranho, cheio de cachinhos e escureceu!
Não lembro de ter levado palmadas por causa da choradeira, mas a chupeta foi jogada fora!
Minha mãe deve ter desistido de mudar meu visual, pois nunca mais inventou de me deixar com cabelos encaracolados.
Acho que não combino com cabelos encaracolados, gosto do jeito que são!
By Nana Pereira
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